quinta-feira, julho 09, 2009



Um marco na história de São Paulo e, apesar de não termos vencido, forçamos o governo a aprovar (2 anos depois) uma nova Constituição.

Em linhas gerais, a Revolução Constitucionalista de 1932 é compreendida como uma reação imediata aos novos rumos tomados pelo cenário político nacional sob o comando de Vargas. Os novos representantes estabelecidos no poder, alegando dar fim à hegemonia das oligarquias, decidiram extinguir o Congresso Nacional e os deputados das assembléias estaduais. No lugar das antigas personalidades políticas, delegados e interventores foram nomeados com o aval do presidente da República.

A visível perda de espaço político, sofrida pelos paulistas, impulsionou a organização de novos meios de se recolocar nesse cenário político controlado pelo governo de Vargas. O clima de hostilidades entre os paulistas e o governo Vargas aumentou com a nomeação do tenente João Alberto Lins de Barros, ex-participante da Coluna Prestes, como novo governador de São Paulo. O desagrado dessa medida atingiu até mesmo os integrantes do Partido Democrático de São Paulo, que apoiaram a ascensão do regime varguista.

Além disso, podemos levantar outras questões que marcaram a formação deste movimento. No ano de 1931, a queda do preço do café, em conseqüência da crise de 29, forçou o governo Vargas a comprar as sacas de café produzidas. Essa política de valorização do café também ordenou a proibição da abertura de novas áreas de plantio, o que motivou o deslocamento das populações camponesas para os centros urbanos de São Paulo.

Os problemas sociais causados pelo inchaço urbano agravaram um cenário já marcado pela crise econômica e as mudanças políticas. Talvez por isso, podemos levantar uma razão pela qual a revolução constitucionalista conseguiu mobilizar boa parte da população paulista. Mais do que atender os interesses das velhas oligarquias, os participantes deste movimento defendiam o estabelecimento de uma democracia plena, onde o respeito às leis pudessem intermediar um jogo político já tão desgastado pelo desmando e os golpes políticos.

Antes de pegar em armas, representantes políticos de São Paulo pressionaram para que o governo Vargas convocasse uma Constituinte e a ampliação da autonomia política dos Estados. Em resposta, depois de outros nomes, indicou o civil e paulista Pedro de Toledo como novo governador paulista. Logo em seguida, Getúlio Vargas formulou um novo Código Eleitoral que previa a organização de eleições para o ano seguinte. No entanto, um incidente entre estudantes e tenentistas acabou favorecendo a luta armada.

Em maio de 1932, um grupo de jovens estudantes tentou invadir a sede de um jornal favorável ao regime varguista. Durante o conflito – que já havia tomado as ruas da cidade de São Paulo – os estudantes Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo foram assassinados por um grupo de tenentistas. As iniciais dos envolvidos no fato trágico inspiraram a elaboração do M.M.D.C., que defendia a luta armada contra Getúlio Vargas.

No dia 9 de julho de 1932, o conflito aramado tomou seus primeiros passos sob a liderança dos generais Euclides de Figueiredo, Isidoro Dias Lopes e Bertoldo Klinger. O plano dos revolucionários era empreender um rápido ataque à sede do governo federal, forçando Getúlio Vargas a deixar o cargo ou negociar com os revoltosos. No entanto, a ampla participação militar não foi suficiente para fazer ampla oposição contra o governo central.

O esperado apoio aos insurgentes paulistas não foi obtido. O bloqueio naval da Marinha ao Porto de Santos impediu que simpatizantes de outros estados pudessem integrar a Revolução Constitucionalista. Já no mês de setembro daquele ano, as forças do governo federal tinham tomado diversas cidades de São Paulo. A superioridade das tropas governamentais forçou a rendição dos revolucionários no mês de outubro.

Por Rainer Sousa Graduado em História


Explode em São Paulo uma revolta contra o presidente Getúlio Vargas. Tropas federais são enviadas para conter a rebelião. As forças paulistas lutam contra o exército durante três meses.
O episódio fica conhecido como a “Revolução Constitucionalista de 1932”.

O Museu Histórico Voluntários da Pátria realiza de 06 a 31 de julho, a exposição comemorativa “Revolução de 1932”, em seu piso superior. O evento é uma realização da Prefeitura de Araraquara, por meio da Secretaria Municipal de Cultura e Fundart. A exposição traz objetos, fotos, recortes de jornais e documentos referentes à Revolução de 1932. Entre as peças, é possível observar, por exemplo, o capacete e o gorro protetor de cabeça usados no uniforme dos paulistas no conflito bélico. Também, uma bandeira paulista pequena, confeccionada à mão, e 10 medalhas de honra ao mérito alusivas à revolução, configuram na exposição. Trinta fotografias retratam cenas da revolução na capital paulista e também combatentes de Araraquara, entre eles Diógenes Muniz Barreto, Bento de Barros, Valdomiro Machado – cidadãos que deram nomes às ruas de Araraquara. Ainda, um acervo para consulta com recortes de jornais, livros e revistas que está à disposição dos visitantes.

A Revolução de 32

A Revolução Constitucionalista de 1932, Revolução de 1932 ou Guerra Paulista foi o movimento armado ocorrido no Brasil entre os meses de julho e outubro de 1932, onde o Estado de São Paulo visava à derrubada do Governo Provisório de Getúlio Vargas e a promulgação de uma nova constituição para o Brasil. Foi uma resposta paulista à Revolução de 1930, a qual acabou com a autonomia que os estados gozavam durante a vigência da Constituição de 1891. A revolução de 1930 impediu a posse do governador de São Paulo Júlio Prestes na presidência da República e derrubou do poder o presidente Washington Luís que fora governador de São Paulo de 1920 a 1924. Getúlio Vargas assumia a presidência do Brasil em caráter provisório, mas com amplos poderes. Todas as instituições legislativas foram abolidas, desde o Congresso Nacional até as Câmaras Municipais. A política centralizadora de Vargas desagrada às oligarquias estaduais, especialmente as de São Paulo. As elites políticas, do Estado economicamente mais importante, sentem-se prejudicadas. E os liberais reivindicam a realização de eleições e o fim do governo provisório. O governo Vargas reconhece oficialmente os sindicatos dos operários, legaliza o Partido Comunista e apóia um aumento no salário dos trabalhadores. Estas medidas irritam ainda mais as elites paulistas. Em 1932, uma greve mobiliza 200 mil trabalhadores no Estado. Preocupados, empresários e latifundiários de São Paulo se unem contra Vargas. No dia 23 de maio é realizado um comício reivindicando uma nova constituição para o Brasil. O comício termina em conflitos armados. Quatro estudantes morrem: Martins, Miragaia, Dráuzio e Camargo. As iniciais de seus nomes formam a sigla MMDC, que se transforma no grande símbolo da revolução. E em julho, explode a revolta. As tropas rebeldes se espalham pela cidade de São Paulo e ocupam as ruas. A imprensa paulista defende a causa dos revoltosos. No rádio, o entusiasmo de Cesar Ladeira faz dele o locutor oficial da Revolução Constitucionalista. Uma intensa campanha de mobilização é acionada. Quando se inicia o levante, uma multidão sai às ruas em seu apoio. Tropas paulistas são enviadas para os fronts em todo o Estado. Mas as tropas federais são mais numerosas e bem equipadas. Aviões são usados para bombardear cidades do interior paulista. 35 mil homens de São Paulo enfrentam um contingente de 100 mil soldados. Os revoltosos esperavam a adesão de outros Estados, o que não aconteceu. Em outubro de 32, após três meses de luta, os paulistas se rendem. Prisões, cassações e deportações se seguem à capitulação. Estatísticas oficiais apontam 830 mortos. Estima-se que centenas a mais de pessoas morreram sem constar dos registros oficiais. A Revolução Constitucionalista de 1932 foi o maior confronto militar no Brasil no século XX. Apesar da derrota paulista em sua luta por uma constituição, dois anos depois da revolução, em 1934, uma assembleia eleita pelo povo promulga a nova Carta Magna. O Feriado Desde 1997 é lei: todo dia 9 do mês de julho é feriado civil no Estado de São Paulo. O motivo? A celebração da data magna do Estado, em memória ao dia em que o povo paulista pegou em armas para lutar pelo regime democrático no País, deflagrando a Revolução Constitucionalista de 1932. A data garante folga no dia 9 de julho, a todos os funcionários públicos estaduais, salvo aqueles em regime extraordinário, como profissionais das áreas da saúde e segurança. Empregadores da iniciativa privada têm a liberdade de adotar ou não o feriado. O caminho para criação do feriado surgiu com uma lei federal que dispõe sobre feriados estaduais. A Lei Federal n.º 9.093, de 12 de setembro de 1995, sancionada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, definiu que a data magna de cada Estado da nação fosse transformada em feriado civil. Assim, cada unidade da federação teve liberdade para escolher qual o dia do ano deveria ser guardado. No caso de São Paulo, o dia escolhido foi 9 de julho.A data foi oficializada pelo Projeto de Lei n.º 710/1995, do deputado estadual Guilherme Gianetti. Aprovado pela Assembléia Legislativa, o PL deu origem à Lei Estadual n.º 9.497, de 5 de março de 1997, sancionada pelo governador Mário Covas. Por se tratar de lei estadual, o feriado não requer manutenção através de legislação específica, como a assinatura de um decreto renovando-o ano após ano. A seguir, confira o texto da lei estadual que define como feriado o dia 9 de Julho. Lei nº. 9.497, de 5 de março de 1997 Projeto de Lei nº 710/95, do deputado Guilherme Gianetti - PMDB. Institui como feriado civil, o dia 9 de julho, data magna do Estado de São Paulo. O GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Faço saber que a Assembléia Legislativa decreta e eu promulgo a seguinte lei: Artigo 1º - Fica instituído, como feriado civil, o dia 9 (nove) de julho, data magna do Estado de São Paulo, conforme autorizado pelo artigo 1º, inciso II, da Lei Federal nº 9.093, de 12 de setembro de 1995. Artigo 2º - As despesas decorrentes da execução desta lei correrão por conta de dotações orçamentárias próprias, suplementadas se necessário. Artigo 3º - Esta lei entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário. Palácio dos Bandeirantes, 5 de março de 1997. Mário Covas Exposição Comemorativa “Revolução de 1932” Local: Museu Histórico e Pedagógico Voluntários da Pátria Período: de 06 a 31 de julho Informações: (16) 3322.4887

ESPECIAL: Revolução de 1932

Veja:

A revolução, em imagens (146)
e textos de O Mundo Ilustrado:
[01] Introdução - a revista

Temas fotográficos:
[02/03] MMDC/início
[04/05/06/07/08] Preparo cívico
[09/10/11] Preparação bélica
[12/13/14/15/16] Rumo à guerra
[17] Estado-maior revolucionário
[18/20] fotos diversas
[19] Revolucionários mirins
[21] Proto-mártires
[22] Ouro para São Paulo
[23/24/25/26/27/28] A guerra
[29] O epílogo da revolução
[30] Mapa: SP conflagrada
[31] A Constituinte de 1934

Textos:
[01] Tradições democráticas
[02/06] Introdução
[06/10] Júlio de Mesquita Filho
[13] Aureliano Leite
[16] O herói do túnel
[20] Carlota Queiroz, um símbolo
[20] O Batalhão Acadêmico
[29] O epílogo da revolução
[32] "Os que sabem muito..."

Depoimentos:
[33] gal. Euclides Figueiredo
[34] gal. Aristóteles Ribeiro
[35] gal. Brasílio Taborda
[36] cel. Mário Abreu
[37] gal. Bertoldo Klinger

Capa de revista de 1954 comemorativa da Revolução de 1932

Jornais de 32
Hinos de 32 (com áudio)
Cartazes, folhetos, dinheiro de 32
A revolução, 22 anos depois


Veja mais:
República brasileira
A Constituição de 1934
Santos e a revolução

sexta-feira, junho 05, 2009

Novo Enem terá 180 questões e 10h de duração; MEC lança edital

O Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) de 2009 terá 180 questões e tempo de duração total de 10h, sendo 4h30 no primeiro dia e 5h30 no segundo. As informações foram divulgadas no Diário Oficial da União desta quinta-feira (28). As provas serão realizadas nos dias 3 e 4 de outubro.


O MEC (Ministério da Educação) resolveu mudar o formato do Enem. Inicialmente, eram previstos 200 testes, mas a pasta avaliou que 180 eram suficientes para avaliar os candidatos.

No primeiro dia de exame (3/10), haverá provas de ciências da natureza e suas tecnologias e, depois, ciências humanas e suas tecnologias. Nesse dia, os candidatos terão 4h30 para resolver as questões.

No segundo dia (4/10), serão aplicadas a prova de linguagens, códigos e suas tecnologias, que inclui a redação, e a prova de matemática e suas tecnologias. Os estudantes terão 5h30 para a resolução dos exames desse dia.

Até agora, 42 faculdades federais já declararam que irão utilizar o exame em seus vestibulares.


O MEC definiu que o Enem poderá ser usado de quatro formas:

  • como prova única para a seleção de ingresso;
  • substituindo apenas a primeira fase do vestibular pelo Enem;
  • combinando a nota do Enem com a nota do vestibular tradicional; nesta modalidade, a universidade fica livre para decidir um percentual do Enem que será utilizado na média definitiva;
  • usando o Enem como fase única apenas para as vagas ociosas da universidade.

  • Inscrição

    As inscrições do exame devem ser feitas somente pela internet, das 8h de 15 de junho às 23h59 de 17 de julho (horário de Brasília (DF). É preciso preencher o cadastro e imprimir o comprovante de inscrição e o boleto de pagamento; a taxa custa R$ 35. Os comprovantes de inscrição estarão disponíveis via web até o dia 24 de julho.

    Estudantes que tenham estudado em escolas públicas ou em instituições participantes do Encceja 2006, 2007 e 2008 têm isenção de taxa. Também terão isenção de taxa candidatos de baixa renda, bem como os inscritos no Cadastro Único para Programas Sociais; para isso, é necessário fazer requerimento entre os dias 15 e 19 de junho, pela web. A relação dos isentos será divulgada até 3 de julho.

    O resultado do Enem deverá ser enviado aos candidatos via Correios, a partir da segunda quinzena de janeiro de 2010.

    domingo, maio 31, 2009

    CLIPE PATINHO

    The Gummy Bear Song - Long English Version

    quarta-feira, maio 27, 2009

    Os textos

    Conforme combinado, postei alguns textos para ajudar nas pesquisas solicitadas. Saliento que não é necessario que sejam estes, o intuito é ajudar. Leiam e copiem o que acharem pertinente.
    Bons trabalhos .
    Profª Andrea

    Segunda Guerra Mundial

    Segunda Guerra Mundial

    A Segunda Guerra reavivou as disputas imperialistas do início do século XX.

    Considerada uma verdadeira guerra mundial, a Segunda Guerra foi conseqüência de um conjunto de continuidades e questões mal resolvidas pelos tratados de paz estabelecidos após a Primeira Guerra Mundial. Os confrontos foram divididos entre duas grandes coalizões militares: os Aliados, liderados por Estados Unidos, Inglaterra, França e União Soviética; e o Eixo, composto pela Itália, Alemanha e Japão. Em conseqüência de suas maiores dimensões, os conflitos foram desenvolvidos na Europa, Norte da África e países do Oceano Pacífico.

    No período entre 1918 e 1939, a economia mundial sofreu um grande abalo gerado pela crise de 1929. Na época, a economia dos EUA financiava e fornecia produtos às principias nações européias atingidas pelos conflitos da Primeira Guerra Mundial. Além disso, a miséria de algumas nações, como no caso da Itália e da Alemanha, propiciou a ascensão de grupos políticos nacionalistas de extrema direita. Ao mesmo tempo, as disputas imperialistas ainda dominavam a concorrência da economia mundial.

    A Liga das Nações, órgão instituído para manter a paz entre as nações, não conseguiu cumprir o seu papel, e esfacelou mediante a corrida militarista preparada pelas nações inconformadas pela hegemonia política e militar exercida pelos vencedores da Primeira Guerra Mundial. Sem possuir uma única razão, essa guerra foi conseqüência do exacerbado desenvolvimento industrial das nações européias. De certa forma, levando em consideração suas especificidades, a Segunda Guerra parecia uma continuidade dos problemas da Primeira Guerra.

    Veja mais:

    Preparativos da Segunda Guerra Mundial
    O revanchismo e os regimes totalitários na preparação de um novo conflito mundial.

    A ofensiva alemã
    As conquistas que garantiram a vitória de Hitler nos primeiros anos da Segunda Guerra.

    A resistência soviética
    Um episódio fundamental na vitória contra a Alemanha nazista.

    A vitória dos Aliados
    Os episódios que garantiram a derrota dos países do Eixo.

    O mundo depois da Segunda Guerra Mundial
    Os tratados e acordos políticos acontecidos depois da Segunda Guerra.

    Erwin Rommel
    A biografia do militar que tramou um golpe contra Hitler.

    O bunker de Hitler
    As características do último refúgio de Adolf Hitler.

    O resgate de Mussolini
    O plano que tentou recolocar Mussolini à frente da Itália no final da Segunda Guerra.


    Segunda Guerra Mundial

    A humilhação sofrida pela Alemanha com o Tratado de Versalhes cria as condições ideais para a germinação do nacional-socialismo – nazismo – alemão e a ascensão de Hitler ao poder, em 1933. O nacional-socialismo toma o poder pela violência, elimina as dissensões internas com métodos violentos e combate a divisão do mundo produzida pela 1a Guerra, quando os mercados mundiais são repartidos entre França, Bélgica, Reino Unido, Holanda, Itália, Japão e Estados Unidos. A política alemã não deixa dúvidas quanto aos desejos de Hitler: o carvão e o ferro da Sibéria; o petróleo da Rumânia e Cáucaso; o trigo da Ucrânia. E, especialmente, o reordenamento do mundo colonial.

    Reação mundial ao nazismo – As potências ocidentais têm uma posição dúbia em relação ao nazismo. Pressentem o perigo representado por Hitler, mas permitem o crescimento da Alemanha nazista como forma de bloquear a União Soviética. A invasão da Polônia, em 1o de setembro de 1939, por tropas e aviões alemães, não surpreende a Europa. Todos estão à espera da guerra.

    Origens do Eixo – Itália e Alemanha têm regimes políticos semelhantes, mas o que mais as aproxima é o limitado espaço territorial de que dispõem e a acirrada competição pelos mercados internacionais. No período após a 1a Guerra, algumas nações são favorecidas no plano internacional. É o caso do Reino Unido e da França, donos de vastos impérios coloniais; dos Estados Unidos, avançando rapidamente na disputa pelo mercado mundial; e da União Soviética, rica em recursos naturais e em acelerado processo de desenvolvimento. Já Alemanha, Itália e Japão situam-se em uma área de 4 milhões de quilômetros quadrados e possuem uma população superior à do Reino Unido e Estados Unidos, somados. Assim, o Japão pretende dominar a Ásia; a Itália ocupa a Albânia e a Abissínia (Etiópia); a Alemanha militariza a Renânia, em 1936, e anexa a Áustria, em 1938. Na Conferência de Munique, em 1938, da qual participaram a França, a Alemanha, a Itália e a Inglaterra, Hitler consegue a cessão dos Sudetos (região da Checoslováquia). No ano seguinte, o führer alemão cria o protetorado da Boêmia e anexa o porto lituano de Memel, no mar Báltico. Stalin percebe que as anexações alemãs caminham em direção à União Soviética e firma com Hitler o Pacto Germano-Soviético, em 1939, pelo qual anexa a Lituânia, Letônia, Estônia e parte da Polônia e Finlândia.

    Começa a Gerra

    Em abril de 1939 Hitler exige a anexação de Dantzig, o "corredor polonês", e a concessão de uma rede rodoviária e ferroviária que cruze a província polonesa da Pomerânia. A Polônia, sem condições de resistir, é invadida por tropas nazistas no dia 1o de setembro. O Reino Unido, comprometido com a defesa da Polônia em caso de agressão, declara guerra à Alemanha. Horas depois, é seguida pela França. Até junho de 1940, quando a Itália declara guerra à França e ao Reino Unido, o conflito está restrito aos três países. A Alemanha invade e ocupa a Noruega, a Bélgica, a Holanda e a França.

    Domínio alemão – O domínio alemão na Europa fica patente com a expulsão dos ingleses de Dunquerque e os armistícios assinados pela França com a Itália e Alemanha, em junho de 1940, que dividem o território francês em duas partes. Nesse momento, a Alemanha nazista controla a Áustria, Tchecoslováquia, Dinamarca, Noruega e a maior parte da França. Toda a costa ocidental da Europa pertence ao III Reich e não resta nenhuma tropa inglesa no continente. Os ingleses, violentamente bombardeados, dia e noite, resistem aos nazistas. Na Batalha da Inglaterra, no verão de 1940, a aviação inglesa, RAF (Royal Air Force), consegue rechaçar os ataques da Luftwaffe (aviação alemã).

    França ocupada – Com a divisão da França, o primeiro-ministro francês, marechal Henri Phillipe Pétain, assume poderes ditatoriais em 1940 e transfere a capital para Vichy, uma vez que Paris está ocupada pelas tropas alemãs. O governo de Vichy é anti-republicano, conservador, e colabora estreitamente com os nazistas, sobretudo de janeiro de 1941 até a ocupação alemã, em novembro de 1942.

    A "França Livre" de De Gaulle – Enquanto isso, um grupo de franceses, sob a liderança de Charles De Gaulle, retira-se para Londres e apresenta-se como governo alternativo a Vichy. O movimento, chamado "França Livre", entra em contato com as organizações de resistência aos alemães na França ocupada, a "Resistência", em busca de apoio nas colônias francesas da África.
    Charles André Joseph Marie de Gaulle (1890-1970), estadista francês, nasce em Lille e freqüenta a Escola Especial Militar de Saint-Cyr. Aos 23 anos ingressa na Infantaria e participa da 1a Guerra Mundial. Depois de alcançar as patentes de major e general, assume o seu primeiro cargo político em 1940, como secretário de Estado da Defesa Nacional. Durante a 2a Guerra, organiza a resistência em Londres. Governa a França de 1958 a 1969. A Constituição que promulga dura mais de 30 anos. No seu governo a Argélia se torna independente. Em 1968 acontecem várias manifestações estudantis e operárias. Renuncia um ano depois, após sair derrotado de um plebiscito para a reforma constitucional que pretendia fazer.

    A "Nova Ordem" na Europa – A Alemanha nazista implanta sua "Nova Ordem" nos territórios ocupados, que são explorados segundo os interesses do III Reich. As tropas invasoras apoderam-se dos estoques de matéria-prima e manufaturas e reativam as indústrias paralisadas. Os povos conquistados são obrigados a trabalhos forçados.

    Campanha da Rússia – A primeira fase da guerra termina com o ataque alemão à União Soviética, em junho de 1941. Em conseqüência, as divergências ideológicas entre capitalistas e comunistas são colocadas em segundo plano. Hitler invade a URSS, por um lado por ter o Comunismo como um inimigo (para seus parâmetros) tão incidioso quanto os judeus e ainda, segunda alguns autores, porque percebe a impossibilidade de ganhar a guerra no oeste sem uma vitória no leste europeu. Nesse momento, 1 milhão de soldados alemães ocupam os Bálcãs. A Wehrmacht (Exército alemão) já domina a Romênia, Bulgária e Hungria e conquista a Iugoslávia e a Grécia. A invasão do território soviético é levada a efeito em aliança com a Finlândia, Hungria e Romênia. Com a subseqüente aliança entre a União Soviética e as potências ocidentais, produzida pelo ataque nazista, a Alemanha empenha-se numa guerra em duas frentes, para a qual não está bem preparada. A estratégia da blitzkrieg (guerra-relâmpago) deixa de ser novidade e despontam contradições no próprio comando nazista.

    A Reviravolta

    Batalha de Stalingrado1941 marca a Batalha de Stalingrado, MARCO do início da derrota nazista. Enquanto os aliados ocidentais lutavam contra as potências do Eixo no Norte da África e, no máximo, prestavam algum apoio moral principalmente pelas rádios BBC de Londres e Voice of America, dos EUA, aos Aliados. A Guerra era travada na Europa exclusivamente por comunistas e partisans, anti-fascistas em geral, com apoio pífio dos aliados ocidentais. Acredita-se que os aliados ocidentais, sabendo que o Nazismo é uma forma autoritária de encaminhar o Capitalismo enquanto o Socialismo constitui uma forma autoritária de encaminhar o Comunismo, pensavam em permitir que Hitler e seus assassinos destroçassem o Socialismo para, somente então, iniciar a luta contra o autoritarismo.

    Fato é que o grosso do maquinário bélico nazista foi deslocado para o chamado "front oriental", virando o centro da Guerra para a Batalha de Stalingrado, que recebeu, a exemplo da Revolução Espanhola, comunistas, anarquistas e anti-fascistas do mundo inteiro. Aqui no Brasil, Carlos Drummond de Andrade, por exemplo, publicou uma ODE à vitória de Stalingrado, que mudou toda a abordagem da guerra.

    Praticamente abandonada pelos Ocidentais, Stalin não se cansava de enviar ( EM VÃO!) mensagens pedindo suporte humano com a abertura de um importante "Front Ocidental" que dividisse as forças fascistas, após muitas perdas humanas - Stalingrado, além do nome emblemático e simbólico do então Líder da União Soviético, constituía-se em principal porta de entrada aos ricos territórios russos, particularmente terras férteis e petróleo - a URSS coloca-se definitivamente na vanguarda do Comando Aliado.

    O poderoso e numeroso Exército Vermelho conseguia sucesso após sucesso: todos os países da Europa (Polônia, Hungria, Romênia, Bulgária, Tchecoslováquia, etc), iam sendo libertados o Exército Vermelho foi o primeiro exército vitorioso a entrar efetivamente em Berlim. A Bandeira Vermelha, com uma foice e um martelo a tremular no alto de importantes prédios políticos alemães, como o Bundestag, em meio a um mar de gente comemorando tornou-se o emblema maior da vitória aliada sobre os fascistas de Hitler.

    Nestas circunstâncias, não restava aos ocidentais outra alternativa que um desembarque também (a dúvida era Dunquerque ou Normandia) sob a pena de ver o Exército Vermelho libertar também a Holanda, a Bélgica, a França, etc. Decidiu-se o Desembarque na Normandia, principalmente para garantir os interesses dos aliados ocidentais na Europa. Seu erro de cálculo foi imaginar que o mais poderoso exército da Europa até então, a Wehrmacht e a Luftwaffe, venceriam os Socialistas sem grande dificuldade. Os Socialistas transformaram rapidamente fábricas de tratores em fábricas de tanques de guerra, fábricas de canos em fábricas de metralhadoras, fuzis e canhões e, em defesa de um regime e um idealismo acima de qualquer interesse mesquinho dos fascistas ou dos aliados ocidentais, dedicaram-se de corpo e alma ao esforço de guerra, de resto ocorrendo em seu território!

    A vitória dos Soviéticos sobre os Nazistas e consequente libertação dos países do Leste Europeu constituiu na maior surpresa dos aliados ocidentais que precipitaram o "Desembarque na Normandia", como se disse, para garantir e preservar seus interesses econômicos na Europa...

    Pearl Harbor

    Pearl Harbor – O ataque japonês à base norte-americana de Pearl Harbor, colônia estadunidense situada no Havaí, em 7 de dezembro de 1941, levou os Estados Unidos a declararem guerra ao Eixo e fez com que o conflito se alastrasse a praticamente todo o mundo. Em junho de 1942 o Japão já ocupa a Indochina Francesa e detém a supremacia naval no Pacífico. Em seguida, toma Hong Kong, Malásia, Cingapura, Índias Orientais Holandesas, Bornéu, Filipinas, Andamãs e Birmânia. As duas facções beligerantes estão definidas: os países do Pacto Anticomintern (o Eixo) – Alemanha, Itália e Japão – contra os Aliados – Inglaterra, Estados Unidos, União Soviética e China. A China já se encontra em guerra contra o Japão desde 1931.

    Guerra de máquinas – A 2a Guerra Mundial é uma guerra de máquinas, aviões, tanques, colunas motorizadas, artilharia pesada, navios e submarinos. Antes da explosão do conflito, os Estados Unidos esforçam-se por desenvolver a indústria de guerra e reúnem uma produção bélica 50% mais poderosa do que as da Alemanha e Japão juntos. Nos anos de 1943 e 1944, os Estados Unidos fabricam um navio por dia e um avião a cada cinco minutos.

    Kamikazes – É como são chamados os aviões japoneses carregados de explosivos e dirigidos por um piloto suicida que com ele se atira sobre o alvo inimigo. É usado pelo Japão principalmente no final da 2a Guerra e é também o nome do piloto. O nome vem da expressão "tempestade providencial" e é como os japoneses chamam as duas tempestades que em 1274 e 1281 destruíram frotas de invasores mongóis, livrando o país da guerra.

    Sofrimentos e a estratégia dos Aliados Ocidentais

    O conflito se torna uma guerra de desgaste. O Eixo tenta subjugar a Inglaterra, cortando suas linhas de abastecimento no Atlântico e no Mediterrâneo. As bases de Gibraltar e Malta são constantemente bombardeadas. Em 1940 a Itália fracassa na campanha da África e, na primavera de 1941, os alemães assumem o controle das operações com o Afrikakorps, comandado pelo general Rommel. Com Rommel, os ingleses sofrem duras perdas e a ameaça nazista continua sobre o canal de Suez e o Egito. Hitler, entretanto, mais preocupado com a guerra na Europa, não dá o apoio necessário ao Afrikakorps e, em outubro de 1942, as tropas de Rommel são atacadas pelo 8o Exército Inglês, do general Montgomery, em El Alamein, no Egito. Os alemães retiram-se rumo à Tunísia e a operação consuma-se em maio de 1943, quando os norte-americanos desembarcam na região e os Afrikakorps rendem-se incondicionalmente. Cerca de 250 mil soldados alemães e italianos são aprisionados.

    Contra-ofensiva na África e Itália – Em julho de 1943 os Aliados desembarcam na Sicília e, em setembro, avançam até Nápoles. Mussolini é destituído em julho e a Itália muda de lado. Tropas alemãs ocupam Roma, o centro e o norte do país, mas a ofensiva aliada toma a capital em junho de 1944 e chega ao norte de Florença em setembro. Em abril de 1945 as forças alemãs na Itália se rendem.

    Contra-ofensiva nos Bálcãs – O avanço soviético chega à Romênia em abril-maio de 1944 e a liberta em setembro. A Bulgária é libertada entre setembro e outubro. Também em outubro os exércitos guerrilheiros da Iugoslávia passam à ofensiva, com o apoio de tropas soviéticas. Na Albânia e na Grécia, os guerrilheiros (partisans) realizam levantes e forçam a retirada das tropas alemãs durante o ano de 1944.

    Dia D – Em 6 de junho de 1944, chamado de "Dia D" pelos Aliados, sob o comando do general Eisenhower, é feito o ataque estratégico que daria o golpe mortal nas forças nazistas que ainda resistem na Europa. Cinqüenta e cinco mil soldados norte-americanos, britânicos e canadenses desembarcam nas praias da Normandia, noroeste da França, na maior operação aeronaval da História, envolvendo mais de 5 mil navios e mil aviões. Os combates são pesados, com numerosas baixas, até 27 de junho, quando o I Exército norte-americano toma o porto de Cherbourg. Em 9 de julho forças britânicas e canadenses entram em Caen, abrindo caminho para a passagem de tanques pelas defesas alemãs. Paris é libertada em 25 de agosto, Bruxelas em 2 de setembro. A fronteira alemã anterior ao início da guerra é cruzada pelos Aliados em Aachen em 12 de setembro. Ao mesmo tempo, os Aliados lançam bombardeios aéreos pesados contra cidades industriais alemãs. No início de 1945 os soviéticos (pelo leste) e os norte-americanos e britânicos (pelo oeste) fazem uma verdadeira corrida para ver quem chega primeiro a Berlim.

    Dwight Eisenhower (1890-1969), militar e político norte-americano. Em novembro de 1942, com a patente de general, comanda as forças anglo-americanas na invasão do norte da África. Um ano depois é escolhido para comandar as forças aliadas durante a invasão da Europa ocidental. Desempenha papel importante na derrota do exército alemão na frente oeste. Em 1951 é o comandante supremo da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) na Europa, quando os Estados Unidos resolvem apoiar o tratado. O prestígio o leva à presidência norte-americana. Após quatro anos, reelege-se por maioria absoluta. Desenvolve uma política de impostos baixos e intervenção mínima nos Estados. Nas relações externas, garante a hegemonia dos Estados Unidos. Seu governo é considerado um dos mais bem-sucedidos deste século.

    Guerra no Pacífico – No Pacífico, a situação também se inverte com a vitória das tropas norte-americanas na batalha naval de Midway e em Guadalcanal, em 1942. Os Estados Unidos partem para a reconquista da Ásia. No Pacífico central, os norte-americanos conquistam as ilhas Aleutas, Gilbert, Marshall e Marianas entre maio de 1943 e março de 1944 e as Filipinas entre outubro de 1944 e fevereiro de 1945. A Birmânia (atual Mianmá) é reconquistada entre o final de 1944 e o início de 1945 por tropas britânicas, norte-americanas e chinesas. Em fevereiro de 1945 ocorre o primeiro desembarque norte-americano no Japão, na ilha de Iwojima.

    Ataque a Hiroshima e Nagasaki – Com a Guerra contra o Japão praticamente terminada e vitoriosa, os estadunidenses, para marcar posição e intimidar os Soviéticos, dando início assim à Guerra Fria, a 6 de agosto de 1945 é lançada a primeira bomba atômica sobre Hiroshima, deixando mais de 100 mil mortos e 100 mil feridos. A partir de 8 de agosto tropas soviéticas expulsam os japoneses da Mandchúria e da Coréia e ocupam as ilhas Kurilas e Sakalina. Em 9 de agosto é lançada a segunda bomba atômica, dessa vez sobre Nagasaki, com saldo de vítimas semelhante ao de Hiroshima.

    O Final da Guerra

    Consta que Hitler tenha dado ordem a um Korporaal (Cabo) que o matasse com um tiro e enrolasse seus corpos em pneus, incinerando-os e tornando qualquer identificação impossível para os recursos científicos da época. Há quem diga que cometeu suicidio (difícil ter certeza histórica quanto a este ponto. Mas seus restos mortais jamais foram encontrados) em 30 de abril, com a chegada das tropas soviéticas a Berlim, e o almirante Doenitz forma novo governo e pede o fim das hostilidades. A capital alemã é ocupada em 2 de maio. A Alemanha se rende incondicionalmente em 7 de maio, em Reims. A capitulação do Japão acontece em 2 de setembro, em Tóquio. A 2a Guerra Mundial deixa um saldo de 50 milhões de mortos - Mais de 20 Milhões de Soviéticos e quase 6 Milhões de judeus foram mortos nesse período negro da história humana. Burgueses preocuparam-se em arrolar os "custos financeiros" da Guerra e chegaram à conclusão de que foi de cerca de US$ 1,40 trilhão - com base em que parâmetros? Pergunte a um economista burguês, por obséquio.

    O Julgamento de Nuremberg

    Nasce a ONU e (re)surge o Estado de Israel

    Terminado o conflito, os vitoriosos decidem julgar os líderes nazistas num inédito tribunal internacional de crimes de guerra. A iniciativa contribui para a descoberta dos campos de concentração e extermínio. A sede escolhida é a cidade alemã de Nuremberg, que nos anos 30 havia sido palco dos maiores comícios nazistas. São realizados 13 julgamentos entre 1945 e 1947. Os juizes são norte-americanos, britânicos, franceses e soviéticos. Dos 177 alemães indiciados, 25 são condenados à morte, 20 à prisão perpétua e 97 a penas mais curtas de prisão. São absolvidos 35. No julgamento principal, de novembro de 1945 a setembro de 1946, os réus são os 21 principais líderes nazistas capturados. Dez deles são executados por enforcamento na madrugada de 16 de outubro de 1946; o marechal Hermann Goering suicida-se com veneno em sua cela - fornecido por um oficial estadunidense simpatizante do nazismo - poucas horas antes; para o aristocrata Göring seria uma infâmia ser enforcado...

    Como saldo maior do tribunal, o nascimento da ONU - Organização das Nações Unidas - em 1946 e o ressurgimento, após quase dois milênios, do Estado de Israel que, infelizmente, JAMAIS cumpriu as determinações da ONU quanto aos palestinos, repetindo, ao povo palestino, o tratamento que tiveram dos nazistas...

    Nazismo nunca mais!

    Nazismo nunca mais!

    Bibliografia:

    História Geral - Aquino, Denize e Oscar - Ed. Ao Livro Técnico

    Toda a História - José Jobson Arruda - Ed. Ática

    História - Luiz Koshiba - Ed. Atual


    II Guerra Mundial - Especial da Revista Veja sobre este evento que marcou a história mundial. Apresenta uma linha do tempo mês a mês, fotos da guerra, animações, vídeos, mapas, bibliografia e explicações dos principais fatos relacionados a 2ª Guerra Mundial. Apresentado numa linguagem dinâmica e moderna, é um dos melhores materiais sobre o assunto na Internet. Traz capas da revista Veja da época do conflito e os textos relacionados. Imprescindível para quem quer saber mais sobre o maior conflito armado do século XX.

    Anos de Chumbo: 2ª Guerra Mundial - O material é baseado na série 1939-1945: Anos de Chumbo produzida pela TV Cultura e que conta com farto acervo de imagens da época, além de comentários e análises de historiadores e especialistas brasileiros. Analisa os principais fatos políticos, econômicos e sociais relacionados ao tema. Boa quantidade de mapas históricos e fotos.

    A Aviação Militar Brasileira na Segunda Guerra Mundial - conheça mais sobre a participação da FAB (Força Aérea Brasileira) no conflito. Veja várias fotos, acompanhe a cronologia da participação do Brasil na Segunda Guerra Mundial, os veteranos, os navios de guerra brasileiros afundados e muitas curiosidades.

    A Segunda Guerra Mundial - destaca os temas mais importantes do conflito como, por exemplo,causas econômicas, acordo de Munique, a queda da França, o isolamento da Inglaterra, a resistência russa, a batalha de Stalingrado, a derrota do eixo, a Invasão da Normandia e a ofensiva final sobre Berlim.Apesar de não apresentar fotos e mapas, torna-se uma boa referência de conteúdo histórico para trabalhos escolares e pesquisas em geral.

    II Guerra Mundial - Introdução

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    II Guerra Mundial
    » Introdução
    » Causas econômicas
    » Acordo de Munique
    » A queda da França
    » O isolamento da Inglaterra
    » A resistência russa
    » A batalha de Stalingrado
    » A derrota do eixo
    » A Invasão da Normandia
    » A ofensiva final sobre Berlim
    A Segunda Guerra Mundial, iniciada setembro de 1939, foi a maior catástrofe provocada pelo homem em toda a sua longa história. Envolveu setenta e duas nações e foi travada em todos os continentes (direta ou indiretamente). O número de mortos superou os cinqüenta milhões havendo ainda uns vinte e oito milhões de mutilados.

    É difícil de calcular quantos outros milhões saíram do conflito vivos, mas completamente inutilizados devido aos traumatismos psíquicos a que foram submetidos (bombardeios aéreos, torturas, fome e medo permanente). Outra de suas características, talvez a mais brutal, foi a supressão da diferença entre aqueles que combatem no fronte e a população civil na retaguarda. Essa guerra foi total. Nenhum dos envolvidos selecionou seus objetivos militares excluindo os civis.

    Atacar a retaguarda do inimigo, suas cidades, suas indústrias, suas mulheres, crianças e velhos passou a fazer parte daquilo que os estrategistas eufemisticamente classificavam como "guerra psicológica" ou "guerra de desgaste". Naturalmente que a evolução da aviação e das armas autopropulsadas permitiu-lhes que a antiga separação entre linha de frente e retaguarda fosse suprimida.

    Se a Primeira Guerra Mundial provocou um custo de 208 bilhões de dólares,. esta atingiu a impressionante cifra de 1 trilhão e 500 bilhões de dólares, quantia que, se investida no combate da miséria humana a teria suprimido da face da terra. Aproximadamente 110 milhões de homens e mulheres foram mobilizados, dos quais apenas 30% não sofreram morte ou ferimento.

    Como em nenhuma outra, o engenho humano foi mobilizado integralmente para criar instrumentos cada vez mais mortíferos, sendo empregados a bomba de fósforo, a napalm e finalmente a bomba política de genocídio em massa, construindo-se campos especiais para tal fim. Com bem disse o historiador R.A.C. Parker: "O conceito que a humanidade tinha de si mesmo, nunca voltará a ser o mesmo".

    Causas Gerais

    "... a decisão de qualquer guerra nem sempre deve ser considerada como um caso absoluto: muitas vezes o Estado vencido vê na sua derrota um mal transitório, a que as circunstâncias políticas ulteriores poderão fornecer um remédio." - Clausewitz

    Causas diplomáticas

    Quase todos os historiadores concordam que a causa diplomática mais profunda da Segunda Guerra Mundial tem sua origem no Tratado de Versalhes, assinado entre as potências vencedoras da Primeira Grande Guerra (Estados Unidos, Inglaterra, França) e as Vencidas (a Alemanha e a Áustria). A Alemanha se viu despojada da Alsácia-Lorena (que havia conquistado na guerra franco-prussiana de 1870), como teve de ceder à Polônia uma faixa de território que lhe dava acesso ao Mar Báltimo (o chamado "corredor polonês").

    A cidade alemã de Danzig passaria ao controle da Liga das Nações e o território do Sarre, rico em carvão foi cedido por um período de 15 anos à França. Também foi vedado a Alemanha possuir um exército superior a 100 mil homens exigiu-se a desmilitarização da Renania (Região fronteiriça com a França), assim como o desmantelamento das fortificações situadas a 50 Km do Reno. Viu-se compelida a entregar todos os navios mercantes cuja tonelagem ultrapassasse a 1.600 toneladas e ceder gado, carvão, locomotivas, vagões, cabos submarinos, etc.

    A quantidade da sua dívida para com os aliados foi fixada na Conferência de Bologne (21 de junho de 1920) em 269 bilhões de marcos-ouro a serem pagas em 42 anualidades. Não poderia desenvolver pesquisas bélicas, possuir submarinos ou realizar projetos militares (aviões, canhões, etc.). O velho Império Austro-Húngaro foi desfixada na Conferência de Bologne (21 de junho de 1920) em 269 bilhões de marcos-ouro a serem pagas em 42 anualidades.

    Não poderia desenvolver pesquisas bélicas, possuir submarinos ou realizar projetos militares (aviões, canhões, etc.). O velho Império Austro-Húngaro foi desmembrado pelo tratado de Paz de St. Germain-en-Laye, onde teve que entregar o Tirol do Sul para a Itália, reconhecer a Independência da Hungria, Techcoslováquia, Polônia e Iugoslávia, Polônia e Iugoslávia, além de lhe ser vedada a união com a Alemanha. A Áustria foi proibida de possuir um exército superior a 30 mil homens.

    Estas sanções aplicadas pelos vencedores tornaram-se fonte de amargos rancores, que facilmente foram explorados pela extrema direita nacionalista (nazistas e capacetes-de-aço, que começam a proliferar na Alemanha em 1919). O grande erro do Tratado de Versalhes foi ter ferido profundamente o sentimento nacional dos alemães, e, por outro lado, não lhes ter suprimido o potencial industrial.

    Com seus 65 milhões de habitantes e sua tradição militar, a Alemanha fatalmente viria reivindicar o seu lugar no rol das potências européias. Os diplomatas burgueses se esqueceram da lição do Congresso de Viena (1815), quando os vencedores de Napoleão procuraram não humilhar a França, a nação mais povoada da Europa Ocidental naquela época. Esta contradição entre potencial demográfico e industrial e o não reconhecimento diplomático de um estatuto privilegiado para a Alemanha, terminaram por fazer com que a ascensão de Hitler fosse possível.

    O novo sistema defensivo: os aliados ocidentais, principalmente a França, ao estimularem o surgimento de novos estados-nacionais na Europa Centro-Oriental, visavam substituir a Rússia (então em plena guerra civil) como um fator de dissuasão para qualquer tentativa alemã de agressão. A Tchecoslováquia e a Polônia assinaram tratados de defesa mútua com a França e com a Inglaterra, Esperava-se que estes dois países obrigassem os alemães a lutar em duas frentes - como ocorreu durante a Primeira Guerra Mundial - caso tentassem repetir o erro de 1914.

    A França por sua vez, iniciou a construção da "Linha Maginot" um complexo sistema defensivo que partia da fronteira suíça até a um complexo sistema defensivo que partia da fronteira suíça até a da Bélgica. Desta forma esperava evitar um ataque de surpresa por parte de seu poderoso vizinho. No entanto os efeitos morais e psicológicos desta atitude, tiraram-lhe qualquer alternativa ofensiva, limitando-se a ter que agir caso os alemães o fizessem primeiro.

    A Inglaterra, no período entre-guerras, tornou-se cada vez mais apaziguadora, segura de ser uma ilha e de possuir a mais poderosa frota naval do mundo dando-lhe proteção suficiente caso houvesse um novo conflito. Os Estados Unidos voltaram nos anos vinte a adotar a política do isolacionismo, não querendo envolver-se nas querelas dos países europeus. Estas ambigüidades e atitudes defensistas seriam habilmente exploradas por Hitler na década dos anos trinta.
    II Guerra Mundial - Causas econômicas
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    » A queda da França
    » O isolamento da Inglaterra
    » A resistência russa
    » A batalha de Stalingrado
    » A derrota do eixo
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    » A ofensiva final sobre Berlim
    A crise econômica que se abate sobre o sistema capitalista mundial a partir de 1929, vai ser o fator mais poderoso para que um novo arranjo do poder em escala mundial seja pleiteado. A crise levou os países capitalistas a tomarem medidas protecionistas visando salvar os mercados internos das importações estrangeiras, ocorrendo uma verdadeira guerra tarifária. A produção mundial, reduziu-se em 40%, sendo que a diminuição do ferro atingiu a 60%, a do aço 58%, a do petróleo 13% e a do carvão 29%.

    O desemprego grassou nos principais países industrializados: 11 milhões nos Estados Unidos, 6 milhões na Alemanha, 2 milhões e meio da Inglaterra e um número um pouco superior na França. Não está longe da verdade o fato ter provocado a aflição e o desemprego em mais de 70 milhões de pessoas (contando-se os seus dependentes). Como a economia já estava suficientemente internacionalizada (com exceção da URSS que se lançava nos Planos Qüinqüenais) todos os Continentes foram atingidos, aumentando ainda mais a miséria e o desemprego.

    A América Latina por exemplo teve que reduzir em 40% suas importações e sofreu uma queda de 17% em suas exportações. É nesse contexto caótico que a Alemanha no Ocidente e o Japão no Oriente vão tentar explorar o debilitamento de seus rivais. Uma nova luta por mercados e novas fontes de matérias-primas levaria o mundo à Segunda Guerra Mundial.

    Causas Políticas

    A conjuntura externa caótica e a situação interna de desespero conduzem Hitler ao poder na Alemanha em 1933. Atuando implacavelmente, em menos de um ano sufocou todos os movimentos oposicionistas (sociais-democratas, comunistas e liberais) dando início à "Revolução Nacional-socialista" que tinha como objetivo fazer a Alemanha retornar ao grau de potência européia.

    Naturalmente que para tal era necessário romper com o tratado de Versalhes, pois este impedia a conquista do "espaço vital", como o rearmamento. Atenuava-se o desemprego e atendia-se necessidades da poderosa burguesia financeira e industrial da Alemanha. Para evitar a má vontade das potências ocidentais, Hitler coloca-se como campeão do anti-comunismo a nível mundial, assinando com o Japão (novembro de 1936) e com a Itália (janeiro de 1937) o Pacto Anti-Comintern - cujo fim é ampliar o isolamento da URSS e, quando for possível, atacá-la.

    O Japão, que igualmente passa por convulsões internas graves, dá início em 1931, a uma política externa agressiva, explorando o enfraquecimento dos Impérios Coloniais europeus que se mostram impotentes para superar a crise econômica. Em 1937, após ter ocupado a rica região da Manchúria, invade o resto do território chinês, dando início ao longo conflito na Ásia. Seu expansionismo vai terminar por chocar-se com os interesses norte-americanos na Ásia (Filipinas) e levar à guerra contra os Estados Unidos.

    Os antecedentes imediatos

    A Guerra Civil Espanhola
    Nas eleições de 1936 a Frente Popular vence as eleições na Espanha. Em 18 de julho, os generais Mola e Francisco Franco rebelam-se contra a República, representando a coligação de forças conservadoras (a direita monarquista, a Igreja católica, e os grupos fascistas da Falange Espanhola) iniciando a guerra-civil que durou dois anos e nove meses. Enquanto a França e a Inglaterra optaram pela política de não intervenção, Hitler e Mussolini auxiliaram abertamente os nacionalistas de Franco (Legião Condor e Grupo de Tropas Voluntárias).

    Os republicanos, cada vez mais isolados, pediram apoio à URSS. Devido à distância, e ao bloqueio naval, o auxílio soviético não consegue equilibrar a situação a favor dos republicanos, que terminam por ser derrotados em março de 1939. Esta guerra serviu para Hitler experimentar sua estratégia da blitzkrieg (avanço de carros de combate conjugados com bombardeios aéreos maciços) e detectar a indecisão e fraqueza dos aliados ocidentais. Enquanto que para Stalin, serviu de lição, não podia se envolver num enfrentamento direto com a Alemanha.
    II Guerra Mundial - A crise dos sudetos e o acordo de Munique
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    » A ofensiva final sobre Berlim
    A ascensão de Hitler ao poder e seu nacionalismo exacerbado fizeram com que os alemães que habitavam países vizinhos, entrassem em ebulição, desejando integrarem-se na Grande Alemanha. Já em março de 1938, Hitler havia anexado a Áustria (Anschluss), tornando-a província do Reich. Com isso a integridade territorial da Tchecoslováquia ficou ameaçada. A Sudetolândia, região fronteiriça com a Alemanha, possuía uma população de origem germânica que perfazia 65% dos habitantes, apesar de legalmente pertencer a Tchecoslováquia desde 1919.

    É justamente nesta região que os Tchecos tinham seu sistema defensivo, nos moldes franceses. Hitler começa a exercer pressão junto ao governo tcheco para anexá-la. O perigo de guerra torna-se iminente. Neste exato momento, Chamberlain, primeiro-ministro conservador da Inglaterra e Daladier, Presidente da França, propõem encontrar-se com Hitler em Munique. O Acordo de Munique terminou com uma estrondosa vitória dos nazistas, pois receberam o acordum para poder ocupar a Sudetolândia em troca de uma simples promessa de paz - que não seria cumprida.

    Esse acontecimento convenceu Hitler ainda mais da debilidade dos aliados ocidentais, estimulando-o a reivindicar a plena integração do "corredor polonês" ao Reich. Em março de 1939 a Tchecoslováquia deixa de ser independente, transformando-se no "Protetorado da Boemia e Morávia".

    O pacto Germano-Soviético

    Para poder invadir a Polônia, havia a necessidade da neutralização de uma das potências vizinhas da Alemanha. A Inglaterra e a França já haviam cedido a Tchecoslováquia e provavelmente iriam à guerra se a Polônia fosse invadida. Qual a reação da URSS? Hitler, veterano da Primeira Guerra Mundial sabia que a Alemanha não poderia repeli-la, isto é, ser obrigada a lutar simultaneamente, no Ocidente e no Oriente.

    Assim pensou em fazer um acordo com Stalin, temeroso que uma invasão (os exércitos russos haviam sido desbaratados pelos alemães entre 1914/16) pusesse abaixo as conquistas industriais da Rússia Soviética, não hesitou. A recente demonstração de fraqueza da Inglaterra e França, fez com que estendesse sua mão calorosamente ao maior adversário do comunismo. Em agosto de 1939, é assinado o Pacto de não agressão germano-soviético, cujas cláusulas secretas implicam na partilha da Polônia, reconhecendo a hegemonia soviética sobre os Estados Bálticos (Letonia, Estonia e Lituania). A estrava da guerra estava aberta.

    A 1ª fase da ofensiva Nazi-fascista

    Em setembro de 1939, as tropas alemães cruzam a fronteira polonesa e marcham em direção a Varsóvia que será a primeira capital européia a conhecer as agruras do bombardeio aéreo. Apesar dos esforços, os poloneses não têm condições de deter a poderosa máquina militar germânica. Pela primeira vez é utilizada em larga escala a estratégia da blitzkrieg - a "guerra relâmpago" - maciças operações com divisões blindadas que atuam como pinças, encurralando o inimigo, isolando-o em bolsões, para posteriormente levá-los ao esmagamento ou à rendição.

    A Inglaterra e a França enviam ultimatos, exigindo a retirada imediata das forças alemãs do território polonês - dando-lhes um prazo de vinte quatro horas - findo os quais automaticamente se declarariam em guerra com a Alemanha. A 3 de setembro, chegam a Chancelaria alemã as declarações de guerra. A Polônia resistiu por pouco mais de um mês, terminando por render-se incondicionalmente.

    Qual a razão da Inglaterra e principalmente a França, não terem aproveitado o momento em que o grosso das forças alemãs atuavam na Polônia e iniciarem uma ofensiva pelas desguardadas fronteiras ocidentais? De certa forma, a Primeira Guerra Mundial condicionou os aliados ocidentais a acreditarem que a Segunda seria semelhante. Isto é, os alemães atacavam, os franceses se defendiam e finalmente levariam o inimigo ao esgotamento.

    Nem a França nem a Inglaterra estavam preparadas para a nova dinâmica da guerra, que ao contrário da Primeira, se caracterizava por sua extraordinária mobilidade, propiciada pelo desenvolvimento dos blindados e da aviação de bombardeio. Durante nove meses as tropas anglo-francesas esperaram o ataque alemão, dando um tempo precioso para que Hitler não só liquidasse com a Polônia como ocupasse mais 500 mil Km2 antes de voltar suas forças contra eles.

    Em abril de 1940 as divisões alemãs ocupam a Dinamarca (praticamente sem resistência) e a Noruega - onde conseguem expulsar um corpo expedicionário anglo-francês em Narvik. A ocupação do Frente Norte, deveu-se a necessidade de evitar uma ofensiva inglesa pelo Báltico, como também preservar o abastecimento de matérias-primas estratégicas vindas da Suécia. Em maio de 1940, os Países Baixos são atacados. A Holanda é invadida no dia 15 e a Bélgica treze dias depois.
    II Guerra Mundial - A queda da França
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    Até então os nazistas haviam enfrentado países pequenos e de poucos recursos humanos e materiais, quase sem tradição militar. Esperava-se que a França fosse resistir com mais eficiência, pois contava igualmente com a colaboração de um corpo expedicionário britânico. Vis a vis, os exércitos franceses tinham um número equivalente em homens, tanques e aviação, além de terem sido vitoriosos em 1914/18. No entanto, a catástrofe francesa foi ainda maior pelo inesperado arrojo das tropas alemãs.

    Os franceses haviam concentrado suas mais eficientes tropas na fronteira com a Bélgica, pois fora dali que os alemães iniciaram a invasão em 1914. Estavam confiantes na segurança que a Linha Maginot lhes dava e se preocuparam com a região das Ardenas, ocupadas por florestas e extremamente acidentada. Por via das dúvidas colocaram à saída da floresta, um dos seus menos capazes exércitos, o 9º.

    Foi exatamente nessa região que se deu o golpe de força alemão dividindo o exército francês em dois, fazendo com que o flanco esquerdo se retirasse juntamente com o corpo expedicionário britânico para a costa do Atlântico. O pânico estabeleceu-se na retaguarda francesa. Milhares de refugiados entupiam as estradas e impediam o deslocamento de tropas necessárias para tapar as brechas. A estrada para Paris abriu-se para os alemães. Enquanto isso, mais de seiscentos mil homens estavam sitiados na Linha Maginot, assistindo impotentes o desastre militar e político de seu país. O exército francês pulverizou-se em menos de três semanas, surpreendendo inclusive os alemães.

    As tropas nazistas desfilam por Paris em 14 de junho e cinco dias depois alcançam a costa atlântica. Dia 22 de junho ocorre o armistício de Compiègne, onde a França se rende. O país é dividido em duas zonas, uma ocupada pelos alemães, outra pelo governo colaboracionista do Marechal Petain. O espírito derrotista contaminou o país, fazendo com que somente o Gen.

    De Gaulle pregasse a necessidade da continuação da luta. As restantes tropas anglo-francesas conseguem evitar a destruição completa graças a evacuação de Dunquerque. Apesar da catástrofe francesa a Inglaterra, agora sob a liderança de W. Churchill, promete continuar na guerra até a vitória final ("sangue, suor e lágrimas").

    A determinação da Inglaterra em continuar na luta

    "Embora grande parte da Europa e antiquíssimos e famosos Estados hajam caído ou possam ainda cair nas garras da Gestapo e de todo o odioso aparato do domínio nazista, não haveremos de ceder nem fracassar. Iremos até o fim: lutaremos na França, lutaremos nos mares e oceanos, lutaremos com crescente confiança e poderio, no ar; defenderemos nossa Ilha custe o que custar; lutaremos nas praias, lutaremos nos aeropódromos, lutaremos nos campos, nas ruas e nas colinas; jamais nos renderemos, e mesmo que - o que não creio sequer por um momento - esta Ilha ou uma grande parte dela seja subjugada e esteja passando fome, nosso Império de além-mar, armado e guardado pela esquadra britânica, continuará a lutar até que, quando Deus quiser, o Novo Mundo, com toda a sua força e poderio, se ponha em marcha para socorrer e libertar o Velho."

    Discurso de Churchill na Câmara dos Comuns em 4 de julho de 1940, após a retirada das forças anglo-francesas de Dunquerque e doze dias depois da rendição da França.

    A expansão da Guerra pelo Mediterrâneo, África e Balcãs

    Quando a sorte da França já estava praticamente selada, a Itália lhe declarou guerra (10 de junho de 1940) propiciando aos franceses suas únicas e inúteis vitórias contra as potências do Eixo. Tropas italianas estabelecidas na Líbia penetram no Egito em setembro de 1940 donde são rapidamente expulsas pela contra-ofensiva britânica que lhes abocanha a Cirenaica (Líbia Oriental). A situação desesperadora das forças italianas faz com que Hitler designe o Afrikakorps - comandado por E. Rommel - para auxiliar Mussolini. Entre março-abril de 1941 as tropas alemães infringem vigorosas derrotas aos ingleses obrigando-os a recuar.

    No segundo semestre de 1940 a guerra atinge a região dos Balcãs. Desejoso de mostrar sua independência de Hitler, Mussolini ordena a invasão da Grécia, partindo da Albânia. As tropas italianas não conseguem ultrapassar a fronteira e ainda sofrem um contra-ataque anglo-grego que as faz recuar. A Alemanha decide enviar suas divisões para esta região tendo por objetivo afastar definitivamente os ingleses do Mediterrâneo Oriental, assim como reforçar seu fronte sul para a futura invasão da URSS.

    Entre abril-maio de 1941 caem sob seu domínio a Iugoslávia e a Grécia, culminando com uma surpreendente ocupação da Ilha de Creta - base aero-naval inglesa - pelos pára-quedistas alemães. Desta forma os campos petrolíferos da Romênia, que abasteciam as divisões blindadas alemãs, ficam a salvo dos bombardeios aéreos. Apesar dessas sucessivas derrotas, os ingleses conseguem manter algumas posições estratégicas importantes - a Ilha de Malta - na intersecção da Sicília com a África.

    Isso lhe possibilita assediar os comboios do Estreito de Gibraltar que lhes assegura a rota marítima com o Mediterrâneo e o Egito. A superioridade naval e aérea inglesa vai ser uma permanente fonte de tormentos para os italianos no Mediterrâneo, como também neutraliza a eficiência de combate do Afrikakorps derrotados em El Alamein, em 30 de junho de 1942, por falta de reforços.
    II Guerra Mundial - O isolamento da Inglaterra
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    » A ofensiva final sobre Berlim
    A situação da Inglaterra nos anos 40/41 era de quase total isolamento. Sua poderosa esquadra, havia dissuadido Hitler de invadi-la, levando-o a adotar a estratégia da Guerra aérea e submarina. H. Güring, supremo comandante da Luftwaffe foi responsável pelas operações de bombardeamento de Londres e outras cidades industriais.

    Inicialmente procuraram atingir alvos estratégicos, mas a situação evoluiu para um bombardeio indiscriminado da população civil (Conventry). As bases alemãs estavam assentadas nos Países Baixos e na França conquistada. Um invento, do qual somente os ingleses tinham o monopólio, - o radar - muito os auxiliou na luta contra a avaliação alemã. Ao deixarem de bombardear os alvos estratégicos (industriais e aeródromos) os alemães propiciaram a que a RAF se recuperasse, passando a infringir pesadas perdas aos seus aviões. Em 1940, a Luftwaffe perdeu 1.733 aparelhos, tendo cada vez mais dificuldades em obter pilotos adestrados.

    A situação da Inglaterra conhece verdadeiro alívio, quando Hitler resolve invadir a União Soviética em junho de 1941, sendo obrigado a desviar o esforço de guerra para o fronte Oriental. Mesmo assim, nestes dois anos críticos, a Inglaterra vê cair sobre suas cidades mais de 58 mil toneladas de bombas.

    Paralelamente aos ataques aéreos, a Grã-Bretanha foi submetida ao cerco pelos submarinos. Em 1939 os ingleses haviam perdido 810 mil toneladas de barcos afundados, que no ano seguinte aumentou para 4 milhões e meio, atingindo o máximo de perdas em 1942, quando mais 8 milhões de toneladas foram postas à pique pelos torpedos alemães. Hilter escolheu a guerra submarina devido a inferioridade numérica da esquadra alemã e, tentava com ela, reeditar o Bloqueio Continental ordenado por Napoleão. Isolando a Inglaterra de suas colônias esperava secar as fontes de abastecimento em matérias-primas e alimentos, necessárias a seu esforço de guerra.

    Desta forma usava a estratégia do ataque indireto visando a neutralização e submissão da Inglaterra. No entanto, com a entrada dos Estados Unidos no conflito, a partir de dezembro de 1941, esta política não se concretizou. Imensos comboios passaram a atravessar o Atlântico apoiados pela esquadra anglo-americana. A invenção do sonar e a construção de destroiers, aperfeiçoaram a caça de submarinos. Se em 1940, apenas 22 submarinos haviam sido destruídos, seu número aumentou para 35 no ano seguinte, 85 em 1942 chegando ao auge em 1943, quando 287 submarinos foram postos fora de combate.

    Esta política da guerra submarina terminou por levar os alemães a realizarem ataques indiscriminados a navios mercantes, mesmo àqueles países que ainda permaneciam neutros. O Brasil tem vários barcos torpedeados, a maioria dos quais no Atlântico Sul, o que forçará a entrada de Getúlio Vargas no conflito.

    Conclusões da 1ª fase - setembro de 1939 a junho de 1941

    A guerra se iniciou com o conflito germano-polonês, em setembro de 1939, tornou-se 22 meses depois num combate generalizado envolvendo todas as nações da Europa Ocidental. Permaneceram neutros a Suécia, a Suíça e os países ibéricos. Ao término desta fase o sucesso de Hitler era evidente; suas forças haviam submetido oito países, perfazendo o controle de mais de um milhão e meio de km2 com uma população de mais de cem milhões de indivíduos.

    O poderio francês havia sido varrido em pouco mais de um mês e a Inglaterra achava-se na defensiva. O controle territorial partia das margens polares da Noruega englobando boa parte do Mediterrâneo. Contando os territórios da Alemanha, Áustria, Tchecoslováquia mais as áreas dominadas, temos um total de 2 milhões 340 mil km2, com uma população de mais de 250 milhões. Os alemães passaram usufruir os recursos industriais e agrícolas da França, Bélgica e das regiões orientais da Europa (dominados: como a Iugoslávia, ou aliados como a URSS permaneciam neutros, fazendo com que o domínio alemão fosse incosteste.

    Suas forças armadas tornaram-se calejadas, mais de dez milhões de homens haviam sido mobilizados dotados de modernos equipamentos baseando sua estratégia numa poderosa e ágil força blindada. O moral dos tropas era elevadíssimo, criando-se o mito da insensibilidade do exército alemão - a mais poderosa máquina de guerra que o mundo havia visto. Todos estes fatores criaram um clima otimista para Hitler dar início a 2ª fase do conflito: a invasão da URSS - que seria a sua tumba.

    Países aliados da Alemanha:

    1) Itália
    2) Finlândia
    3) Hungria
    4) Bulgária
    5) Romênia

    A II fase da ofensiva Nazi-fascista

    Vários fatores contribuíram para que Hitler se decidisse a invadir a URSS. Era-lhe difícil precisar quanto tempo a União Soviética se manteria fora do conflito e já que mais tarde ou mais cedo ela se envolveria, decidiu tomar a iniciativa atacando antes. Hitler subestimou o potencial soviético e de certa forma, sua opinião sobre a capacidade de resistência do Exército Vermelho era compartilhada pelos observadores ocidentais. Em 1937 Stalin havia expurgado todo alto-comando das Forças Armadas, 65% dos oficiais desapareceram nos campos de concentração ou pelos fuzilamentos.

    A fragilidade do potencial soviético foi testada na guerra conta a pequena Finlândia, onde os russos padeceram severas perdas para submeter os fineses. Inegavelmente o peso maior devia-se ao antagonismo de ambos sistemas políticos. Hitler, afinal era o campeão do anti-comunismo, e esperava apoio mundial para sua cruzada contra bolchevismo. O pacto germano-soviético, fora apenas um interlúdio tático para consolidar seu domínio no Ocidente e desta forma poder jogar todo o peso do poderio alemão contra URSS.

    Stalin recebeu vários avisos da iminência da invasão. Tanto o serviço secreto britânico como o Departamento de Estado americano alertaram-no com suficiente antecipação. O espião soviético, Sorge, que atuava na Embaixada Alemã em Tóquio, enviou mensagem indicando a data exata em que os exércitos alemães atacariam. Nada disso convenceu Stalin. Acreditava que não passavam de manobras para envolvê-los numa guerra contra a poderosa Alemanha. Ordenou, inclusive, que os exércitos soviéticos se afastassem da fronteira alemã para evitar qualquer tipo de provocação. Assim, não é de espantar que fossem pegos de surpresa quando a invasão iniciou.

    Os alemães dividiram suas forças em três grandes grupos de assalto. Os Exércitos do Norte, sob comando do Gen. Von Leeb possuía 57 divisões e sua missão era ocupar os Estados Bálticos e unir-se com os finlandeses em Leningrado. Os Exércitos do Centro, sob comando do Gen. Von Bock, composto por 45 divisões tinha como missão dirigir-se a Moscou. Os Exércitos do Sul, sob chefia de Von Rundstedt, com 38 divisões deslocaria-se para as férteis regiões da Ucrânia e posteriormente para o Cáucaso, rico em minérios e petróleo.

    Era a mais vasta operação de guerra até então ensejada pelos alemães, implicando numa força de 150 divisões mais tropas auxiliares de outras nacionalidades (romenos, húngaros, espanhóis, italianos, e pequenos grupamentos fascistas) perfazendo 3 milhões e duzentos mil soldados. Uma força dez vezes superior a de Napoleão quando este invadira a Rússia cento e trinta anos antes, e o maior exército invasor de todos os tempos.

    O ímpeto do ataque alemão desbaratou as forças fronteiriças e destruiu, quase toda a força aérea soviética, que foi abatida no solo. A penetração alemã teve poucos obstáculos. Suas divisões blindadas avançavam celeremente, envolvendo os exércitos russos em enormes bolsões. Nos primeiros meses do conflito, mais de 650 mil prisioneiros foram feitos. O otimismo e a certeza de uma vitória fácil inundou o Alto-Comando alemão.

    Pelos seus cálculos, pouco restava do poderio militar soviético, visto que em apenas cinco meses amplas regiões da Rússia caíram sob seu controle. Leningrado estava cercada, a estrada para Moscou desguarnecida, a Ucrânia desamparada. Mas lentamente a determinação e resistência dos soviéticos se fez sentir - uma guerra de vida e morte se perfilava no horizonte.

    A locução de Stalin, feita em 4 de julho de 1941, dez dias depois da invasão alemã:

    "Camaradas, cidadãos, irmãos e irmãs, combatentes do nosso Exército e da nossa Marinha! É a vos que me dirijo, meus amigos! Grave ameaça paira sobre o nosso país (...) Esta guerra nos foi imposta, achando-se o nosso país empenhado agora numa luta de vida ou morte contra o mais pérfido e maligno dos seus inimigos, o Fascismo Alemão. Nossas tropas se batem heroicamente em situação desvantajosa, contra um adversário fortemente armado de tanques e aviões... O grosso das tropas soviéticas, equipado com milhares de tanques e aviões, somente agora começa a participar dos combates... Unido ao Exército Vermelho, todo o nosso povo se levanta para defender a Pátria. O inimigo é cruel e impiedoso. Quer nossa terra, o nosso trigo e o nosso petróleo. Visa à restauração do Czarismo e à destruição da cultura nacional dos povos da União Soviética... quer nos fazer escravos de príncipes e barões germânicos.

    Nas nossas fileiras não haverá lugar para os fracos e os covardes, para os desertores e causadores de pânico. Nosso povo será destemido na luta e combaterá com abnegação na guerra patriótica de libertação contra os escravizadores fascistas.

    (...) Sempre que unidades do Exército Vermelho sejam obrigadas a recuar, todo o material rodante ferroviário há de ser também retirado. Ao inimigo não se deixará uma única máquina, um simples tanque, uma libra de pão ou uma latinha de óleo. Os kolkhozniki sairão com todos os seus animais, entregarão ao Estado suas reservas de cereais para o envio a retaguarda... Tudo o que não puder ser carregado será destruído, seja cereal ou ferro, combustível ou metais não ferrosos ou qualquer propriedade de valor.

    (...) Camaradas, nossas forças são incomensuravelmente grandes. O inimigo insolente logo o perceberá. Unidos ao Exército Vermelho, milhares de trabalhadores, de kolkhozniki e de intelectuais irão à guerra. Surgirão muitos milhões mais. Os trabalhadores de Moscou e de Leningrado já começam a organizar um opolcheniye (corpo auxiliar de voluntários ) de milhares de militantes para auxiliar o Exército Vermelho... O imenso poder popular será empregado para esmagar o inimigo. Avante! À vitória!"
    II Guerra Mundial - A resistência russa
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    II Guerra Mundial
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    » A ofensiva final sobre Berlim
    O famoso teórico da guerra Clausewitz, já alertava sobre as dificuldades de se conquistar a Rússia. Sua vastidão, as poucas estradas e a determinação de lutar de seu povo, forçavam ao invasor a um assombroso desgaste. Num capítulo especial sobre os efeitos das marchas prolongadas, mostra como essas diminuem o potencial combativo de um exército. Ao penetrarem cada vez mais no solo russo, as forças alemãs começaram a sentir os efeitos destes fatores.

    Agora não se tratava de conquistar pequenos países da Europa Ocidental e sim uma região que só em sua área européia, tinha mais de 5 milhões de quilômetros quadrados, duas vezes e meia superior a da Europa Ocidental. As linhas invasoras, ao se estenderem por mais de mil quilômetros, dificultavam o abastecimento e municiamento, assim como as tornavam vulneráveis ao ataque de guerrilheiros na retaguarda. Sendo o exército alemão essencialmente motorizado, havia necessidade constante de combustível e reposição de peças para torná-lo eficiente.

    A resistência soviética aumentava de intensidade conforme os alemães se aproximavam de Moscou. O inverno de 1941 foi assaz precoce. O General Guderiam notou as primeiras nevascas na primeira quinzena de outubro. As estradas ficaram enlameadas diminuindo cada vez mais a capacidade de manobra das divisões panzer. Mesmo assim os alemães atingiram a periferia da capital soviética em novembro de 1941. A temperatura baixou terrivelmente, entre 20 e 25 graus abaixo de zero. Como esperavam o término da guerra para antes do inverno, foram surpreendidos sem vestuário apropriado.

    Hitler ordenou que os exércitos aguardassem a passagem do inverno em suas posições de assalto. A capital seria conquistada na primavera de 1942. É neste momento que, com auxílio de tropas siberianas, o Marechal Zukov inicia o contra-ataque na região de Moscou, surpreendendo os alemães, afastando-os em definitivo. O pânico das tropas contaminou todo alto-comando, fazendo com que Hitler afastasse uma série de generais e assumisse o controle direto da guerra. A ordem era resistir em suas posições. Percebeu que uma retirada em pleno inverno, como muitos generais desejavam, poderia se transformar numa catástrofe de enormes proporções, desmoralizando definitivamente suas tropas. Segundo alguns, esta foi uma das poucas ordens sensatas de Hitler.

    Na primavera verão de 1942, os alemães retomaram a ofensiva nas regiões do Sul da Rússia. Toda a área do Mar Negro foi conquistada, incluindo o Cáucaso. Foi o "verão negro" da história do Exército Soviético. No entanto, era visível que os russos preparavam-se cada vez melhor para enfrentar os cercos dos blindados alemães. Tropas aguerridas estavam se forjando no transcorrer das batalhas. Apesar das enormes perdas, os soviéticos passaram a ser abastecidos com um equipamento mais farto e de melhor qualidade, destacando-se o tanque T-34 e os morteiros-foguetes katyushas.

    Até os finais de 1941 caíram sobre o controle alemão 40% da população soviética, 41% de suas estradas de ferro, 38% do gado, 58% das siderurgias de aço, 60% do alumínio, 84% do açúcar, 38% dos campos cerealísticos, 63% do carbono e 60% do ferro. Apesar dessas conquistas nunca as baixas alemãs tinham sido posto fora de combate; 202.251 mortos, 725.642 feridos e 46.511 desaparecidos, perfazendo até fevereiro de 1942, 31% do total da força invasora.

    O esforço de guerra soviético

    Nos últimos anos da década de trinta, conforme a negra nuvem da guerra se alastrava pela Europa, os soviéticos passaram a construir suas fábricas de forma a serem facilmente desmontáveis e conduzidas às regiões fora do alcance da aviação invasora. Quando os alemães atravessaram a fronteira da URSS em junho de 1941, deu-se início a remoção. Nos Urais foram instaladas 455 indústrias, 210 na Sibéria e 250 na Ásia Central, num total de 1.360.

    Isso no entanto não evitou que mais de 1.700 cidades fossem destruídas como também 70 mil aldeias, desabrigando mais de 25 milhões de habitantes. 31.850 fábricas foram destruídas, 65 mil quilômetros de estradas de ferro totalmente inutilizadas, perecendo ainda 71 milhões de cabeças de gado variado. A mobilização da população propiciou às forças armadas de 11.556.000 soldados, dos quais 6.352.000 entraram em combate.

    Catastróficas foram as perdas civis e militares. Apesar dos dados serem aproximativos Ellenstein os calcula ao redor dos 25 milhões de mortos (provocados pelo combate direto contra o inimigo, assim como pela fome, frio e epidemias). Das despesas totais para o esforço de guerra, calcula-se que a partir de 1942 60% da receita estatal foi destinada aos produtos bélicos. A produção de aviões atingiu a 3 mil unidades por mês a partir de 1943 e a de blindados - 2 mil.

    Stalin, no final do conflito, afirmou que seu país havia construído 100 mil blindados e 120 mil aviões. Considerável igualmente foi a ajuda prestada pelos Estados Unidos e Grã-Bretanha: segundo o Gen. Deane, os aliados ocidentais enviaram para a URSS:

  • mil caminhões, 13 mil veículos de guerra, 2 mil veículos para canhões e 35 mil motocicletas;
  • milhões e 670 mil toneladas de produtos de petróleo;
  • milhões e 478 mil toneladas de víveres e equipamento ferroviário.

    O auge do abastecimento, que se fez em sua maior parte pelo porto popular de Murmansk, ocorreu entre os anos de 1943 e 1944, contribuindo enormemente para a contra-ofensiva geral que levou os alemães à derrota.

    A política de ocupação alemã

    Como conseqüência lógica da política racista, os nazistas trataram com métodos bárbaros e cruéis as populações do Leste Europeu. Suas vítimas principais foram os poloneses e russos vistos como untermenschen (seres inferiores) pelos germanos conquistadores. De acordo com os princípios ideológicos de Mein Kampf diz-nos M. Crouzer - tratava-se de criar para algumas nações que disto fossem dignas, zonas vitais formadas dum certo número de "grandes espaços" (grossraum), política e economicamente autônomos, ligados por acordos bilaterais.

    O centro seria formado pela Alemanha que seria a única a ser provida de parques industriais. Na periferia, estariam as nações camponesas - o Baurwall, ou "muro de camponeses", colonizada por alemães (Führungsvolk) tendo como servos os eslavos. Reduzir as populações do Leste ao estado absoluto de vasalagem foi pois a política dos conquistadores. Foram constituídos tropas especiais de extermínio e eliminação de marxistas, franco-maçons, democratas-burgueses, sindicalistas, comissários políticos e principalmente judeus.

    As regiões do Leste foram administradas pelos comissários do Reich (Reich-komissaer) com autoridade de vida e morte sobre as populações subjugadas. Seus objetivos, segundo Erich Koch eram claros: "Eu não vim aqui para espalhar a felicidade, vim para ajudar o Führer... Não estamos aqui para trazer manhã, mas para criar as bases de vitória. Somos uma raça de senhores que deve se lembrar sempre que o mais humilde trabalhador alemão tem social e biologicamente mil vezes mais valor que a população daqui".

    Assim, as escolas e universidades foram suprimidas, permitindo-se apenas o nível mínimo de escolarização. Professores e intelectuais foram fuzilados em massa. Este imenso império de terror era controlado pelo Reichsführer SS - Himmler que supervisionava pessoalmente a ação dos Einsatzuommandos, especializados no genocídio. Para tanto, foram construídos campos de concentração que passaram a eliminar pelo gás milhões de vítimas.

    Em Auschwitz, tornou-se possível gasear um lote de 2 mil pessoas em meia-hora e repetir a operação 4 vezes por dia. As mais bárbaras e atrozes experiências foram feitas com os prisioneiros em melhores condições, tornando-se tristemente célebre o Dr. Mengele. A rede de campos era composta por 15 de grande porte (Dachau, Neungamme, Mathausen, Ravesbruck, Chelmo, Treblinka, Sobibor, Maidaneck, Belzec, Belsen, Auschwitz, Theresinstadt) e 900 menores, estando em sua maior parte situados em terras polonesas. Acredita-se que pereceram nos campos de extermínio, mais de 10 milhões de pessoas das quais 60% eram de origem judaica.

    Conforme as necessidades da guerra aumentavam, as SS foram encarregadas juntamente com a Gestapo, de obterem mão-de-obra para a indústria alemã. Inicialmente solicitou-se o trabalho voluntário, mas a partir de 1942 instituiu-se o trabalho forçado adotando-se o seqüestro como uma maneira usual. Mais de 3 milhões de operários de ambos os sexos foram trabalhar no Reich, conduzidos como gado em enormes comboios ferroviários.

    Pode-se dizer que Hitler, ressuscitou a velha política colonialista praticada pelos europeus na Ásia e na África, querendo transformar os eslavos "nos seus negros", "nos seus amarelos". É compreensível pois entender a tenacidade com que os russo lutaram.

  • II Guerra Mundial - A batalha de Stalingrado
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    "Stalingrado foi o ápice da campanha russa. É verdade que a frente recuou aos pulos e sobre grandes distâncias, mas de maneira irreversível." - Lidde Hart

    Stalingrado, cidade situada na margem direita do rio Volga, era um importante entroncamento fluvial e ferroviário que ligava as regiões minerais e petrolíferas do Cáucaso à área de Moscou. Hitler decidiu lançar o peso de sua ofensiva sobre esta cidade não só por motivos estratégicos, mas também políticos. Acreditava que provocaria um profundo abalo moral nas forças inimigas caso conquistasse rapidamente a cidade. As divisões alemãs que atuavam na Rússia foram ampliadas de 184 em junho de 1942 para 193 em agosto/setembro do mesmo ano. Assim reforçados, deram início a ofensiva sobre essa cidade.

    A 17 de julho, o VI Exército sob o comando do Gen. Von Paulus teve ordem de dar início à mobilização que visava a ocupação de Stalingrado. Em setembro a luta se estende para o seu interior e sua queda é eminente. Hitler, eufórico, chega a anunciar a rendição para qualquer momento. No entanto, o avanço alemão por entre as ruínas da cidade é cada vez mais moroso. O 62º Exército comandado por Chuikov resiste a sombra de cada casa, de cada rua, de cada porão.

    A terrível oposição das tropas russas não evita que os alemães se apropriem de quase 70% da cidade. Chuikov faz referências a extrema dificuldade em se defender um fronte que tinha de extensão mais de 40 km e uma profundidade de apenas 3 km. Na outra margem do rio, os russos colocam sua artilharia que através de sucessivas barragens, evitam que o restante da cidade caia em poder dos alemães. As perdas de ambos os lados são imensas. O inverno se aproximava e a vitória alemã não se concretiza.

    Em 19 de novembro de 1942, após silencioso preparativo, os soviéticos, sob o comando do Gen. Zukov realizam a contra-ofensiva. Três grandes corpos de exércitos (de Vatutin, de Rokossovsky e de Yeremenko) avançam pelo frágeis flancos do VI Exército, terminando por cercá-lo completamente a 23 de novembro de 1942. Vinte e duas divisões de elite e mais dois exércitos romenos encontram-se aprisionados no chamado "caldeirão" de Stalingrado.

    O Gen. Von Paulus solicita ordens para executar uma retirada em quanto fosse tempo. Hitler, teimosamente ordena que os alemães devam permanecer nas posições conquistadas, enviando um corpo blindado (Hooth-Mainstein) para tentar romper o bloqueio. Os russos com relativa facilidade e auxílio das baixas temperaturas conseguem afastá-lo das cercanias da cidade. Em dezembro de 1942 os soviéticos apelam para a rendição do VI Exército, dada a inutilidade de qualquer resistência. O natal de 1942 é lúgubre em toda a Alemanha.

    O führer, tenta criar uma situação emocional favorável ao espírito de resistência até o último homem. Promove Von Paulus a Marechal, esperando lhe dar ânimo. Dos 330 mil soldados existentes dentro do "caldeirão" a metade já havia perecido nos combates, pela fome e pelo frio. As promessas de Güring, de abastecer os sitiados via aérea não se concretizaram.

    Entre os dias 10 de janeiro a 2 de fevereiro de 1943, as tropas soviéticas executam a operação final, que culmina na rendição incondicional de quase cem mil homens. Foi a maior derrota militar do Exército alemão em todos os tempos, marcando o fim da supremacia estratégica e tática da Alemanha, que definitivamente perdeu a iniciativa da guerra. Dali em diante, os soviéticos passariam a determinar os rumos do conflito. A Batalha de Stalingrado marca a reviravolta dos destinos da guerra e o princípio do fim da Alemanha Nazista.

    1941: a guerra se torna mundial e o O Japão desafia os EUA

    Até dezembro de 1941, podemos dizer que a Guerra era um conflito entre nações européias. Mas a partir de então vai se generalizar pelas extensas regiões da Ásia. O Japão, aliado da Alemanha desde 1937, já estava envolvido com a China. Divididos entre as forças do Koumitang liderados por Chiang Kai-shek e do Partido Comunista de Mao Tse-Tung, os chineses tinham dificuldades em formar uma aliança para combater o invasor.

    Isso permitiu aos japoneses ocupar quase que um sexto do seu território, incluindo as populosas cidades do nordeste do país, como Pequim. Quando a França foi invadida pelos alemães em junho de 1940, aproveitaram-se da debilidade do velho Império Colonial para apropriar-se de suas colônias. A Indochina francesa é ocupada.

    A expansão japonesa é vista com temeridade pelos Estados Unidos. Roosevelt trata de bloquear de todas as maneiras o seu crescimento militar e econômico. Seu primeiro passo foi anular os acordos comerciais que mantinha com o império do Sol Nascente. Inicia o embargo de petróleo e de matérias-primas minerais fundamentais para a indústria de guerra japonesa, além de lhes congelar os créditos que o Japão possuía nos Estados Unidos. No campo diplomático iniciam-se conversões para obter a evacuação dos nipônicos da China e Indochina - que fracassam. O estado de guerra torna-se latente.

    Internamente, a opinião pública era favorável a manutenção do isolacionismo. Os Estados Unidos não deviam entrar na guerra. Poderosos movimentos de direita se organizaram a favor da política do não-envolvimento. Pode-se dizer que somente Roosevelt e seus acessores sabiam que a participação americana no conflito era inevitável. A coesão nacional em torno do seu governo surgiu, quando os japoneses realizaram o surpreendente ataque à base naval de Pearl Harbour no Hawai, sede da frota americana no Pacífico. O dia 7 de dezembro coloca os Estados Unidos diretamente na Guerra.

    Dois dias depois o Presidente Roosevelt leu sua mensagem de guerra à nação:

    "O verdadeiro objetivo que buscamos situa-se muito acima e além do feio campo de batalha. Quando recorremos à força, como o fazemos agora, estamos resolvidos a que essa força seja dirigida para o bem último assim como contra o mal imediato. Nós, americanos não somos destruidores - somos construtores.

    Estamos agora no meio de uma guerra, não de conquistas, não de vingança, mas por um mundo no qual esta nação, e tudo quanto esta nação representa, seja preservado para os nossos filhos. Esperamos eliminar o perigo do Japão, mas isto de pouco nos servirá se, conseguindo-o, verificarmos que o resto do mundo está dominado por Hitler e Mussolini. Vamos vencer a guerra e vamos conquistar a paz que se seguirá. E nas horas escuras deste dia - e através dos negros dias que talvez ainda venham - saberemos que a vasta maioria dos membros da raça humana está do nosso lado. Muitos deles estão lutando conosco. Todos eles estão orando por nós. Pois, representando nossa causa, representamos também a deles - nossa esperança e sua esperança pela liberdade sob Deus."

    A expansão japonesa: Ásia e Oceania - 1941 - 1942

    O ataque a Pearl Harbour não foi uma operação isolada do Alto Comando estratégico japonês, e sim parte de uma operação mais vasta, que compreendia ataques simultâneos às colônias inglesas, holandesas e americanas. Os objetivos desta ofensiva relâmpago eram sedimentar posições defensivas para, posteriormente, travar uma guerra de desgaste com os Estados Unidos e Grã-Bretanha. Os japoneses sabiam perfeitamente do extraordinário potencial militar que os Estados Unidos poderiam mobilizar. Destruindo sua esquadra no Pacífico - num ataque de surpresa - esperavam ganhar tempo para fixar-se numa área cujo raio fosse o maior possível.

    Em janeiro de 1942, lançam a operação de conquista das Filipinas (E.U.A), e das Índias Holandesas (Indonésia caem sob seu controle em março de 1942). Outra força-tarefa japonesa ocupa Singapura na Malásia em fevereiro do mesmo ano. A cidade de Hong-Kong é ocupada em dezembro, enquanto a Birmânia rende-se em abril. A ofensiva japonesa lhes propicia o controle sobre 95% dos seringais produtores de látex, 90% do quinino. 70% da produção de arroz e estanho, assim como o petróleo, bauxita e cromo, todos fundamentais para sustentar a máquina de guerra. Isso dava ao Japão uma surpreendente capacidade de resistência quando os Estados Unidos iniciam sua contra-ofensiva no segundo semestre de 1942.

    Regiões conquistadas pelo Japão
    PaísesÁrea em Km²População
    (em milhões)
    Birmânia
    China
    Coréia
    Filipinas
    Indonésia
    Malásia
    Indochina
    677.950
    1.500.000
    220.735
    297.370
    1.094.345
    330.400
    510.800
    31
    237
    52
    45
    140
    12
    60
    Total5.441.600450





    II Guerra Mundial - A contra-ofensiva anglo-americana: A Invasão da Normandia
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    Desde 1942, os soviéticos insistiam na necessidade dos aliados abrirem um "Segundo Fronte" na Europa Ocidental, pois os Exércitos russos estavam sangrando ao terem de enfrentar 266 divisões invasoras (das quais, 193 alemãs). Americanos e ingleses alegavam que para tal, necessitavam de um longo período de preparação e adestramento das tropas, visto que teriam de ultrapassar a "Fortaleza do Atlântico".

    Essa era um conjunto de fortificações construídas pelos alemães no litoral da Bélgica e da França que visava tranqüilizar as tropas nazista que combatiam na Rússia. Os alemães cometeram os mesmos equívocos dos franceses ao construírem a Linha Maginot, por um sistema defensivo estático pouco poder fazer numa guerra caracterizada pela intensa mobilidade das forças e pelo potencial dos bombardeiros aéreos.

    Finalmente, na metade do ano de 1944, os aliados ocidentais deram início à Operação Overlord. Uma frota de mais de três mil barcos transportando 350 mil homens partiu, partiu das costas do sul da Inglaterra em direção à Normandia. Os alemães esperavam que a invasão fosse realizada no passo de Calais e foram surpreendidos. Depois das dificuldades iniciais (principalmente na praia de Utah) as forças anglo-americanas conseguiram formar uma sólida cabeça-de-ponte no litoral francês.

    Os portos da região foram dominados e, graças à absoluta superioridade aérea e naval, os alemães tiveram que recuar. A partir de então a dominação alemã sobre a França estava selada. Mais de um milhão de homens e equipamentos de alta qualidade foram desembarcados, dando início à ofensiva sobre Paris. Sentindo a inutilidade da continuação do conflito, um grupo de altos oficiais alemães tenta assassinar Hitler em 20 de julho. Apesar de sair ferido Hitler consegue sufocar a rebelião ordenando o julgamento sumário dos principais envolvidos (Stauffenberg e outros, são enforcados).

    Em setembro de 1944, Paris é ocupada pelo conjunto das forças aliadas (americanos, ingleses e franceses livres) e o General De Gaule faz sua entrada triunfal na cidade. Até o fim do mesmo ano a França encontra-se liberada. Ainda assim os alemães tentam uma operação contra-ofensiva na região de Ardenas aproveitando o mau tempo e, conseqüentemente, a neutralização da superioridade aérea dos aliados. Apesar da surpresa, as forças americanas e inglesas rapidamente se recompõe e liquidam com as divisões panzers (18 a 24 de dezembro de 1944).

    A invasão da Alemanha terá início nos finais do inverno de 1944/45. As forças aliadas dividem-se em três grandes corpos. Os ingleses de Montgomery atravessam o Reno e dirigem-se para o Norte da Alemanha, isolando as tropas nazistas na Holanda. O Centro, sob o comando de Omar Bradley dirige-se para o coração industrial do IIIº Reich - a região do Ruhr, onde forçam a capitulação de 22 divisões alemãs em 14 de abril. O Sul, é responsabilidade do IIIº e IVº exército americano, sob o comando de Denvers, que se dirige para o Brener e fará ligação com os soviéticos no Elba. A guerra na Europa estava em seus estertores.

    Cerco e capitulação do IIIº Reich 1943/45

    Depois de Stalingrado (novembro/1942-fevereiro/1943) a sensação de vitória inundou o exército soviético. O duro ano de 1942, foi sucedido por brilhantes vitórias militares, onde os alemães foram gradualmente sendo desprovidos de suas melhores energias assim como obrigados a ceder amplas extensões de território ocupado. A contra-ofensiva russa se dá em toda a frente - das terras geladas do norte às férteis planícies da Ucrânia.

    Dotados de melhor equipamento, as tropas soviéticas sentem-se mais seguras e autoconfiantes empurrando vigorosamente o inimigo para suas fronteiras. No Norte liberam a zona de Nevel; no setor central conquistam Smolesk e as operações do Sul terminam com a captura da bacia do Donez de onde avança em direção ao rio Dnieper, fazendo com que as forças alemãs que ocupavam a Criméia terminassem por ficar isoladas.

    No verão de 1943 (julho/agosto) travou-se a maior batalha de tanques de todos os tempos. Acredita-se de cerca de seis mil blindados e quatro mil aviões tomaram parte da batalha de Kursk. Devido à exigüidade do território disputado, o massacre tomou formas nunca dantes vistas. Os alemães acusaram baixas de 70 mil mortos e 2.900 tanques destruídos assim como 1392 aviões abatidos e a perda de mais de 5 mil veículos. Nunca mais a Wehrmacht conseguiu recuperar-se de tamanho abalo.

    O capítulo de Leningrado

    Das grandes tragédias que ocorreram durante a Segunda Guerra Mundial, a de Leningrado merece atenção especial. Se milhares de pessoas haviam sucumbido em Hiroshima e Nagasaki, em Hamburgo e Dresdem, ou pelos raides aéreos sobre Londres e Coventry, nenhuma catástrofe se compara com a que ocorreu com a população civil de Leningrado. Cercada desde o início da invasão alemã, foi submetida ao bombardeio e isolada do resto do país por 900 dias.

    Dos seus três milhões de habitantes existentes em 1941, um terço sucumbiu pelas bombas e, principalmente pela fome. Como disse H. Salisbury: "Este era o maior e mais prolongado cerco jamais suportado por uma cidade moderna..." Logo nos primeiros dias a aviação alemã conseguiu destruir suas reservas de alimento; um terrível racionamento foi imposto. Pessoas debilitadas pela falta de proteínas simplesmente morriam no trajeto para o trabalho, nos bancos das praças, nos escritórios ou em suas habitações. Foi preciso esperar mais de seis meses para poder evacuar parte da população aproveitando o congelamento do Lago Ladoga, única via de ligação existente com a parte russa não ocupada pelos invasores, chamada "Estrada do Gelo".

    Por ela, as autoridades soviéticas conseguiram evacuar 512 mil pessoas no inverno de 1941/42 assim como atenuar a carência de alimentos, combustível e munição. A população restante resistiu até a liberação final da cidade, mas as perdas humanas foram assombrosas. No julgamento de Nurenberg falou-se de 632 mil vítimas, enquanto outras fontes indicam 900 mil mortos. Seja qual for a correta, o fato é que Leningrado possui o maior cemitério de vítimas civis da Segunda Guerra Mundial.
    II Guerra Mundial - A ofensiva final sobre Berlim
    Leia mais
    II Guerra Mundial
    » Introdução
    » Causas econômicas
    » Acordo de Munique
    » A queda da França
    » O isolamento da Inglaterra
    » A resistência russa
    » A batalha de Stalingrado
    » A derrota do eixo
    » A Invasão da Normandia
    » A ofensiva final sobre Berlim
    O ano de 1944 continuou auspicioso para os soviéticos. Sua ofensiva de verão liquidou com 25 divisões alemãs na região de Minsk. Em agosto aproximam-se de Varsóvia. Neste momento ocorreu mais um dos terríveis martírios do povo polonês. Acreditamos que a proximidade das tropas soviéticas os socorresse, os partisans poloneses tentaram um levante na Capital que redundou num fracasso.

    As represálias nazistas foram violentas, mais de 300 mil pereceram. Em outubro de 1944, as tropas soviéticas invadem pela primeira vez o solo alemão - a Prússia Oriental é conquistada. Durante o inverno de 1944/45 os russos preparam sua ofensiva sobre a capital do Reich. 2 milhões e meio de soldados, 6.250 blindados e 7.500 aviões são concentrados para o assalto final. Em 16 de abril o exército Vermelho, sob o comando do Gen. Zucov, (tendo em seu apoio o Gen. Konev) dá a salva inicial que culminará com a rendição de Berlim. Hitler, havia ordenado a mobilização geral da população, convocando todos os homens aptos entre os 16 e 60 anos, organizados em milícias populares (Deutscher Volksturn).

    A indústria alemã, apesar dos constantes bombardeios aliados, continuava produzindo em larga escala; o que lhe faltou foi combustível e homens qualificados para utilizar o material bélico. Todos concordam que a resistência alemã foi muito mais significativa contra os russos do que contra os aliados ocidentais. As rivalidades ideológicas e o terrível massacre dos civis no Fronte Oriental, fizeram com que temessem represálias por parte dos soviéticos.

    Nos fins de abril, mesmo com os inauditos esforços do Gen. Henrici, os russos penetram na periferia de Berlim. Hitler escreve seu testamento político, ao mesmo tempo que nomeia o Almirante Doenitz Presidente do Reich e indica Goebbels como seu Chanceler. No dia 30 de abril comete suicídio, acompanhado por sua mulher Eva Braun e por Goebbels e família. A primeira capitulação se dá em 7 de maio em Reims, no Quartel General de Eisenhower pelo Gen. Jodl. No dia seguinte, o Mal. Zucov aceita a rendição alemã feita pelo Marechal-de-Campo Keitel. A guerra na Europa tinha finalmente chegado a seu fim após mil e setecentos dias de matanças inauditas na história da humanidade.

    Notas 1943/45

  • A Blitzkrieg funda-se na necessidade de uma ofensiva rápida que surpreenderá no próprio local o adversário com forças superiores, em seu ponto mais fraco, impedindo-o em seguida, de estabilizar sua frente. É pela surpresa que é preciso atacá-lo, rápida e fortemente a fim de aniquilá-lo. Convém, então aproveitar ao máximo os transportes motorizados que, cinco vezes mais rápidos que os antigos, permitem uma grande flexibilidade de manobra e a pronta concentração de forças sobre o centro de gravidade, isto é, dispor de uma superioridade esmagadora sobre uma frente estreita, no ponto decisivo, aí efetuar uma penetração, ampliá-la e investir para o interior, antes que o adversário tenha tempo de reagir. Seu principal teórico foi Heinz Guderiam que a expôs num artigo em 1929 cujo título era Achtung Panzer! (Vide M. Crouzet - a Época Contemporânea in História Geral das Civilizações, vol. Nº 16, pág. 25).

  • A política dos campos de concentração e da prática do genocídio foi inspirada nas leituras feitas por Hitler sobre a política colonial inglesa e nos sistemas de "reservas" adotado pelos americanos para guardar e exterminar pela fome e pelo combate desigual as índios que não se submetiam ao cativeiro. (Vide John Toland - A. Hitler, vol. II, pág. 852).

  • Sobre a resistência soviética: "... a nossa política obrigou os bolchevistas e os nacionalistas russos a se unirem, numa frente comum contra nós. Os russos estão, hoje em dia, se batendo com uma coragem e um sacrifício pessoal extraordinários por um objetivo que não é nem mais nem menos do que o reconhecimento da dignidade humana". (Memorando de O. Bräutigan a Hitler).

  • A teoria do "espaço vital" já havia sido esboçada no século XIX, quem a popularizou foi Arthur Moeller van der Bruck: considerado como o profeta do IIIº Reich, que deveu sua fama justamente à obra DAS DRITTE REICH, aparecida em 1923. Voltando a tomar temas comuns da polêmica nacionalista (a condenação de um povo de sessenta milhões de homens constrangido num espaço insuficiente) e a criticar os socialistas, associando-os ao judaísmo, propunha a formação de um terceiro partido entre o progresso e a reação, "o partido de todos os alemães que desejam defender a Alemanha por amor ao povo alemão".

    Dados

    Comparação Entre a Primeira
    e a Segunda Guerra Mundial


    1914/181939/45
    Estados em guerra
    nº de mobilizados
    nº de mortos
    nº de mutilados
    gastos militares (diretos)
    33
    74 milhões
    10 milhões
    20 milhões
    208 bilhões
    72
    110 milhões
    50 milhões
    28 milhões
    935 bilhões(*)
    (*) de dólares
    Fonte: Deborin, pág. 399

    Gastos de Guerra (*)

    E.U.A.
    Inglaterra
    Alemanha
    URSS
    Japão
    21%
    20%
    18%
    13%
    4%
    (*) Existem várias estimativas sobre os gastos totais da guerra: DEBORIN indica 935 bilhões de dólares (indiretos); KINDER, H. & HILGEMANN indicam 1 trilhão e meio; a American University, 1 trilhão e 384 bilhões de dólares.

    Efeitos da Crise 1929/30 sobre
    a economia mundial


    19291932% negativo
    Ferro bruto
    Aço
    Petróleo
    Carvão
    98.5
    120.4
    206.3
    1.325.6
    39.7
    50.4
    180.3 (*)
    948.4
    59,7
    58,2
    12,7
    28,5
    (*) A queda da produção petrolífera foi menor do que outras fontes de energia devido ao fato de a economia nesta época não depender deste produto como a de hoje.
    Fonte: KINDER, H. & HILGEMANN - Atlas Mundial Histórico, vol. II, pág. 202.

    Efeitos da recessão mundial
    sobre a economia alemã


    1929 1930 1931 1932 1933
    Falências
    (em milhões de marcos)
    18.2 22.7 27.9 20.3 9.5
    Desemprego
    (milhões de trabalhadores)
    2.850 3.218 4.887 6.042 6.014
    Fonte: KINDER, H. & HILGEMANN - Atlas Mundial Histórico, vol. II, pág. 202.

    Bombardeios Aéreos

    Sobre a InglaterraSobre o IIIº Reich
    1940
    1941
    1942
    1943
    1944
    1945
    36.844
    21.858
    3.260
    2.298
    9.151(*)
    761
    1940
    1941
    1942
    1943
    1944
    1945
    10.000
    30.000
    40.000
    120.000
    650.000
    500.000
    Total 74.172 Total 1.350.000
    (*) O aumento da tonelagem de bombas lançadas sobre a Inglaterra em 1944 deve-se ao desenvolvimento das bombas V-1 e V-2, autopropulsadas do litoral da França.

    Baixas na Segunda Guerra Mundial
    apenas na Europa

    País Militares Civis Total
    França
    Inglaterra
    E.U.A.
    URSS
    Polônia
    Iugoslávia
    Alemanha
    Itália
    350
    326
    300
    6.500
    -
    -
    3.500
    330
    350
    62
    -
    10.000
    5.000
    1.000
    700
    80
    600
    388
    300
    16.500(*)
    5.000
    1.000
    4.200
    410
    (*) As baixas da URSS apresentam variações: ELLENSTEIN apresenta 25 milhões e meio, WERTH, Alexandre calcula em 20 milhões; as autoridades soviéticas computam geralmente apenas as baixas militares entre 6 e 7 milhões de mortos.
    Fonte: PARKER, R. A. C. Europa no Século XX, pág. 404.

    Vítimas do Genocídio

    Morreram pelo gás, pela fome e pelos trabalhos forçados um número aproximado de dez a doze milhões de pessoas. Os grupos étnicos massacrados foram: os judeus (de 4,5 a 6 milhões), eslavos (de 2 a 3,5 milhões), ciganos (nº não avaliado) e outros.




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